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A agricultura precisa realmente dos agrotóxicos?

16/10/2017

A posição de destaque do Brasil no comércio mundial de alimentos deve-se a uma agricultura praticada por produtores que investem em inovação. A competitividade do agronegócio, particularmente o tropical, passa pela aplicação de ferramentas tecnológicas para superação de limitações e para adição de novas funcionalidades à produção agropecuária. Os agrotóxicos, ou defensivos agrícolas, são uma das ferramentas das quais os produtores lançam mão para garantir maior produtividade.

Muito se discute sobre o uso de defensivos agrícolas nas lavouras. Entretanto, poucos consumidores conhecem a realidade do campo e as regras para aplicação desses produtos. O Hortifruti conversou com o engenheiro agrônomo Fernando Adegas, doutor na área de Matologia, para entender por que os defensivos são usados na agricultura, especialmente na brasileira. Pesquisador da Embrapa Soja, Adegas é um dos especialistas na tecnologia de aplicação de herbicidas (contra plantas invasoras), que, junto com inseticidas (insetos), fungicidas (fungos), acaricidas (ácaros) e rodenticidas (roedores), compõem o grupo dos agrotóxicos.

A prática da agricultura tem necessariamente que ser acompanhada do uso de herbicidas?

Fernando Adegas: Hoje, dificilmente a agricultura em grande escala seria possível sem a utilização dos herbicidas. Eles são essenciais não só na agricultura tropical, mas também na subtropical. Em nosso clima, chove praticamente o ano todo, há grande diversidade de espécies vegetais, e as condições são favoráveis ao desenvolvimento e à adaptação de plantas daninhas. Ao mesmo tempo, não temos um inverno rigoroso que ajude a quebrar o ciclo biológico vegetal, principalmente nas áreas extensas de agricultura. No Brasil, existem plantas que conseguem gerar entre cinco e seis gerações de sementes por ano. Em regiões onde há neve, por exemplo, o ciclo de certas plantas é interrompido por temperaturas muito baixas. No cenário de agricultura em condições tropicais, não há um método que possa substituir totalmente o controle químico. Há alternativas que podem ser usadas em conjunto e é possível racionalizar a utilização, mas extinguir os herbicidas é inviável, pelo menos nos dias atuais.

A adoção de herbicidas pode trazer prejuízos, a exemplo do desenvolvimento de plantas resistentes, que não morrem mesmo com a utilização de defensivos químicos?

FA: O que pode acontecer em decorrência da utilização de qualquer produto químico, mais especificamente os herbicidas, é haver uma maior pressão pela seleção de populações de plantas que são mais tolerantes ou resistentes a eles. Isso ocorre principalmente devido à utilização inadequada, com dosagens erradas e adoção do mesmo herbicida, ou de um produto com o mesmo princípio ativo, diversas vezes no ano, durante vários anos.

O aparecimento de plantas resistentes é um processo natural?

FA: A seleção natural é um processo biológico. Entretanto, a prática de uma má agricultura cria uma situação que pode direcionar e facilitar esse processo. Para evitar ou minimizar ao máximo seus efeitos, é fundamental a adoção de boas práticas agrícolas. Não é certo atribuir o aparecimento de resistência ao uso de herbicidas. Esse problema é decorrente da má utilização da tecnologia na agricultura.

O que pode ser feito hoje para evitar o aparecimento de resistência?

FA: Qualquer método ou tecnologia que ofereça ao agricultor uma alternativa ao uso de um determinado herbicida é muito importante, inclusive uma planta transgênica tolerante a um herbicida diferente. O ideal é promover a rotação de princípios ativos de herbicidas em uma mesma área agrícola. Isso pode ser feito por meio da utilização de alternativas já disponíveis ou da introdução de novas tecnologias.

O Brasil é um importante player mundial no que se refere à agricultura. Quais são os principais desafios que o Brasil deve enfrentar para manter essa posição de destaque?

FA: Hoje a agricultura brasileira, segunda maior produtora de grãos, é fundamental para alimentar o mundo.  É inaceitável que a gente regrida tanto em área plantada como em total de alimentos produzidos. Para que isso não ocorra, avalio que temos que enfrentar três desafios. Primeiro, precisamos usar cada vez mais tecnologias adaptadas às condições tropicais. Para tanto, devemos continuar investindo em pesquisa agropecuária, buscando melhorar ainda mais os sistemas de produção. Segundo, é importante resolver nossos problemas relacionados a logística, escoamento e infraestrutura para sermos ainda mais competitivos no comércio internacional. Por fim, temos que nos adaptar às novas exigências de produção sustentável, com cada vez menos agressão ao meio ambiente.

Fonte: Redação Hortifruti, 16 de outubro de 2017.

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