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Chegou a vez da abóbora, alimento que é rico em vitamina A

18/09/2020

abóbora

A abóbora tem chamado a atenção do homem há milhares de anos. Seu cultivo coincide com o início da agricultura e resquícios arqueológicos sugerem que, assim como o milho e feijão, essa hortaliça tenha feito parte da dieta alimentar de povos da Mesoamérica.

Naquela época o principal atrativo das abóboras eram as sementes, que eram nutritivas e apresentavam boa palatabilidade.

A grande diversidade de cores, formatos e tamanhos de abóboras que conhecemos hoje é resultado de mais de 10 mil anos de domesticação. Vamos conhecer um pouco mais sobre esse alimento que é uma das hortaliças frutosas mais consumidas pelos brasileiros.

Segundo o POF 2017-2018 (Pesquisa de Orçamentos Familiares) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) uma pessoa consome por ano, aproximadamente 1 kg de abóbora.

Hortaliça bastante diversificada

No Brasil, as abóboras são cultivadas há muito tempo, é uma planta tipicamente tropical e já faziam parte da alimentação dos indígenas, bem antes da colonização. Inclusive, sementes das abóboras cultivadas pelos índios brasileiros foram levadas para a Europa pelos portugueses. No velho continente, as variedades brasileiras entraram em contato com outras plantas de abóboras que haviam sido cultivadas pelos Astecas, Maias e Incas e levadas para o continente europeu por meio dos colonizadores espanhóis.


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Dessa forma, houve grande diversificação das abóboras. No século XIX, imigrantes europeus trouxeram novas variedades dessa hortaliça para o Brasil, desde então essa planta tem se diversificado. Atualmente existem cerca de 6000 plantas com diferentes características sendo armazenadas em centros de pesquisas e que são utilizadas para o desenvolvimento de novas cultivares de abóboras ou abobrinhas.

Todas essas plantas estão distribuídas entre a espécie Cucurbita moschata ou Cucurbita máxima. Pertencem à família Cucurbitaceae, da qual fazem parte a melancia, melão, pepino, chuchu e muitas outras.

Ficou na dúvida de qual abóbora você mais consome? A gente te ajuda a entender.

Abóbora ou abobrinha?

Cucurbita moschata
Cucurbita moschata

É bem provável que a expressão “virar abóbora” não esteja apenas relacionada ao conto da Cinderela. Acontece que toda abóbora é uma abobrinha que foi colhida tarde demais. É isso mesmo, principalmente a espécie C. moschata é utilizada tanto para produção de abobrinhas como de abóboras.

A abobrinha é o fruto colhido ainda verde, caso o agricultor não colha nesse ponto, a abobrinha vai se desenvolver ficando maior, com uma casca dura e de cor mais alaranjada, o qual chamamos de abóbora.

Cucurbita máxima Paulo Lanzetta
Cucurbita máxima | Crédito: Paulo Lanzetta

Os nomes abóbora e abobrinha são apelidos usados por nós consumidores e agricultores, sem usar nenhum critério taxonômico. Por exemplo, as abóboras redondas e mais alaranjadas são comumente chamadas de “Morangas” ou “Jerimum” e são frutos maduros de outra planta, a Cucurbita máxima.

No entanto, no Nordeste do Brasil, as abóboras da espécie C. máxima são chamadas de jerimum caboclo e os frutos da C. moschata foram apelidadas de jerimum de leite.

Cabotiá
Cabotiá

Existem ainda, aquelas abóboras que são frutos de plantas híbridas, ou seja, filhas de plantas de espécies diferentes. Como é o caso da abóbora japonesa ou Cabotiá (C. moschata X Cucurbita máxima), fruto que apresenta casca de coloração escura, formato arredondado, levemente achatado e bastante consumido pelos brasileiros.


Curiosidade

A abóbora japonesa deve ser plantada juntamente com outra cultivar de abóbora (como a moranga, por exemplo) para que ocorra a polinização. Isso porque as plantas híbridas possuem poucas flores masculinas e, consequentemente, menos pólen, sendo necessário que a polinização ocorra por meio dos grãos de pólen de outra espécie.


Na abóbora, a dupla vitamina A e pouca caloria se destaca

Entre as diferentes abóboras as que pertencem a espécie C. moschata são mais comuns e apresentam significativa participação na alimentação dos brasileiros. Essa hortaliça é um alimento de baixa densidade calórica, fonte de fibra e excelente fonte de vitamina A, ou seja, em uma porção de 70g fornecem mais de 20% da recomendação diária deste nutriente.

A vitamina A é um micronutriente essencial ao organismo humano, cuja função mais conhecida é no processo visual. Outras funções fisiológicas da vitamina A incluem proliferação e diferenciação celular, espermatogênese, desenvolvimento fetal, resposta imunológica, paladar, audição, apetite e crescimento.


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A vitamina A não é sintetizada pelo organismo humano e deve ser obtida por meio da alimentação. Por ser uma substância lipossolúvel, depende da ingestão concomitante de lipídios para adequada absorção no intestino.

Nos alimentos de origem vegetal encontramos os carotenoides, que são as provitaminas A, sendo o betacaroteno o mais importante, por ser o mais bioativo e abundante nos alimentos.  Os carotenoides apresentam cor intensa que varia do amarelo ao vermelho. De modo geral, os carotenoides apresentam atividade antioxidante, protegendo as células contra a ação dos radicais livres.

Informação nutricional da abóbora

Além disso, também é comum o consumo da semente de abóbora torrada, normalmente utilizada como aperitivo e que apresenta propriedades nutricionais distintas.  Com maior densidade energética em função do teor de carboidrato, proteína e lipídeos é uma alternativa para compor a oferta de nutrientes na alimentação de vegetarianos e veganos.

Produção de abóboras no Brasil e no mundo

Por ser produtiva o ano todo e amplamente cultivada em todo o mundo, a abóbora é considerada uma das dez hortaliças de maior valor econômico. Em 2018 a produção mundial de abóboras, abobrinhas e cabaças (um tipo de abóbora não muito consumida no Brasil) somaram 27 ,6 milhões de toneladas e foram cultivadas em uma área de 2 milhões de hectares.

China, Índia, Ucrânia e Rússia, são os maiores produtores dessas hortaliças. No Brasil, o cultivo de abóboras é realizado em maior escala nos estados da Bahia, São Paulo e Minas Gerais.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existem, distribuídos em todas regiões do Brasil, mais de 100 mil estabelecimentos agropecuários, onde há cultivo de abóboras. Em 2019 foram comercializadas mais de 113 mil toneladas do fruto nos principais centros de abastecimento a um preço médio de R$ 1,82.

No geral, a rentabilidade para o produtor é boa, mas os lucros podem variar de acordo com o período de colheita e o transporte para regiões mais distante. Por isso é importante que o agricultor conheça o mercado, identificando a melhor época para comercialização.

cidades produtoras de abóboraApós o plantio, a semente de abóbora leva até 90 dias para completar o seu ciclo no campo, ou seja, se desenvolver, produzir flores e o amadurecimento dos frutos. Após esse período ela é colhida e preparada para ser levada até os consumidores.

Ao consumir uma abóbora, você tem grandes chances de estar consumindo produtos da região nordeste ou sudeste do Brasil. Mais de 80% da produção de abóboras são produzidas nessas regiões, conheça, na tabela, as principais cidades produtoras.

Cuidados ao comprar abóboras

Na hora de escolher a abóbora, prefira frutos que apresentam casca sem brilho, sem machucados e ferimentos e sem sinais de deterioração. O brilho na casca indica que os frutos foram colhidos antes de amadurecerem totalmente e por isso são de menor qualidade.

Frutos com casca, armazenados em locais fresco e seco duram mais tempo, a manutenção do cabinho ajuda na conservação dessa hortaliça. Quando descascadas, devem ser armazenadas sob refrigeração, em embalagem fechada.


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Caso precise congelá-la, corte a abóbora em cubos, cozinhe por cerca de 3 minutos e em seguida faça o resfriamento em água gelada. Coloque em sacos, retire o ar e leve ao congelador. Lembre-se o processo de cozimento e congelamento irá fazer com que muitos dos nutrientes sejam perdidos ou diminuídos. No entanto, é melhor guardar para depois do que desperdiçar esse rico alimento.

Dicas para consumo

Cada região do Brasil possui pratos típicos tendo a abóbora como ingrediente. Saladas, sopas, purês, cremes, curau, bolos, tortas, pães, pudins e o doce de abóbora são exemplos de preparações apreciadas pelos brasileiros.

Que tal preparar um risoto de abóbora e sálvia? É fácil de fazer, você vai precisar de:

  •         2 xícaras (chá) de arroz para risoto
  •         700 g de abóbora japonesa
  •         1 cebola picada fino
  •         10 folhas de sálvia
  •         1,5 litro de caldo de legumes caseiro
  •         ½ xícara (chá) de vinho branco seco
  •         2 colheres (sopa) de azeite
  •         4 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
  •         sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Para começar, pré aqueça o forno a 180 °C. Lave a abóbora e retire a casca. Corte ao meio, retire as fibras e sementes, então corte em cubos. Em uma assadeira, tempere as abóboras com azeite, sal, pimenta e folhas de sálvia trituradas. Leve ao forno por 40 minutos.

Numa panela, coloque o caldo de legumes e leve ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo.

Em outra panela, aqueça um fio de azeite (1 colher sopa) em fogo médio. Em seguida adicione a cebola picada e refogue. Acrescente o arroz e refogue por 2 minutos, mexendo sempre. Adicione o vinho e misture até evaporar. Coloque 1 concha de caldo de legumes e mexa bem.

Quando o caldo secar, acrescente mais 1 concha e repita o procedimento até o risoto ficar no ponto ou até acabar o caldo. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente.

Lembrando que o risoto deve ser cremoso, mas o arroz deve estar um pouco durinho (al dente). Junte ao risoto os ingredientes da assadeira e mexa bem. Por último, acrescente o queijo parmesão e misture. Sirva a seguir.

 

 

 

Principais fontes:

Companhia Nacional de abastecimento (CONAB)

Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (EMBRAPA)

Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO)

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Montero-Pau, J., et al. De novo assembly of the zucchini genome reveals a whole-genome duplication associated with the origin of the Cucurbita genus. Plant Biotechnology Journal, 2018.

Panelinha. Risoto de abóbora e sálvia. Disponível em:  https://www.panelinha.com.br/receita/Risoto-de-abobora-e-salvia. Acesso em: 11/09/2020.

Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA). Universidade de São Paulo (USP). Food Research Center (FoRC). Versão 7.0. São Paulo, 2019. [Acesso em: 21 de maio de 2020]. Disponível em: http://www.fcf.usp.br/tbca.

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