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Agrotóxicos nos alimentos: devo me preocupar?

08/04/2019

Agrotóxicos nos alimentos

A presença de agrotóxicos nos alimentos preocupa a grande maioria das pessoas, mas será que eles podem mesmo ser prejudiciais à saúde? Para respondermos essa pergunta, é preciso começar entendendo o processo de cultivo e uso de agrotóxicos.

Para que um agrotóxico (defensivo agrícola, pesticida ou produto fitossanitário) seja aplicado nas plantações, diversas recomendações devem ser seguidas.

Por exemplo, na própria bula do agrotóxico é especificado um “período de carência”. Esse termo refere-se ao número de dias que o produtor deve esperar após a aplicação para fazer a colheita.

Essas recomendações fazem parte das boas práticas agronômicas e quando incorporadas no sistema de produção, garantem alimentos seguros para o consumo.

Isso porque, mesmo que apresentem algum resíduo de agrotóxico, eles estarão dentro do limite de segurança. Ou seja, níveis baixíssimos dessas substâncias. Nesses casos, dados científicos asseguram que esses produtos não colocam em risco a saúde do consumidor.


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O Brasil avalia o nível de agrotóxicos nos alimentos?

A resposta é sim! Desde 2001, contamos com o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), criado pela ANVISA. O objetivo da iniciativa é avaliar os níveis de agrotóxicos nos alimentos que chegam à mesa do consumidor.

Esse programa é coordenado em conjunto com outros órgãos estaduais e municipais de saúde pública. A análise é feita a partir de amostras coletadas em pontos de venda pelas vigilâncias sanitárias dos estados e municípios, que as enviam para laboratórios especializados.

O relatório disponibilizado pelo PARA em dezembro de 2019, mostrou que, de agosto/2017 a junho/2018, 99,1% dos alimentos monitorados eram seguros para consumo humano. Nesse período foram analisados 14 produtos de origem vegetal que juntos representam 30,86% da aquisição per capita diária, conforme dados do IBGE.

Ao final de 2020, 36 alimentos terão sido avaliados, representando 80% dos produtos de origem vegetal mais consumidos pelos brasileiros.

Alimentos selecionados para o ciclo 2017-2018
Alface, batata doce, laranja e arroz são alguns dos 14 alimentos selecionados para o ciclo 2017-2018

Com base nos dados adquiridos desde 2001, a ANVISA garante que os alimentos consumidos no Brasil não possuem riscos de levar o consumidor a algum tipo de intoxicação por agrotóxicos.

Portanto, mesmo com o uso agrotóxicos para proteger as culturas agrícolas das pragas, o controle e a fiscalização fazem com que seja seguro consumir esses alimentos.

Além disso, é importante ressaltar que a metodologia para avaliação toxicológica de agrotóxicos, utilizada pela ANVISA, está de acordo com as melhores práticas regulatórios internacionais e é empregada por países como Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Holanda e outros.


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Índices que determinam o limite de agrotóxicos nos alimentos

Os limites de segurança dos agrotóxicos nos alimentos são definidos por meio de estudos que avaliam cada princípio ativo de um agrotóxico, em uma determinada cultura. Ou seja, são pesquisas específicas e que determinam a relação de cada produto com um alimento.

A partir desses estudos são definidos alguns índices, sendo os principais:

  • Limite Máximo de Resíduo (LMR): concentração máxima da substância oficialmente aceita no alimento.
  • Ingestão Diária Aceitável (IDA): concentração da substância que pode ser ingerida por dia, por uma pessoa, durante toda a vida.
  • Dose de Referência Aguda (DRfA): concentração da substância que pode ser ingerida durante um período de até 24 horas.

Com a definição desses índices, é possível comparar e assegurar se a quantidade de resíduos presentes em um alimento pode representar algum risco para saúde de uma pessoa.Agrotóxicos nos alimentos-amostras analisadas 2017Além disso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) realiza, desde 2006, o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal). O PARA e o PNCRC são responsáveis pela fiscalização do cumprimento das boas práticas de aplicação de defensivos agrícolas no campo.

Agrotóxicos nos alimentos: quais são os riscos reais?

Sabemos que, em alguns casos, pode haver resíduos de agrotóxicos nos alimentos. Mas o que a ciência, os relatórios, as agências reguladoras e os toxicologistas dizem a respeito disso?

O relatório apresentado pelo PARA, avaliou se as concentrações de resíduos encontradas nas amostras, apresentavam algum risco, agudo ou crônico, à saúde do consumidor. Os resultados mostraram que 99,1% dos alimentos analisados, estavam seguros para o consumo.


O risco agudo: Na avaliação do risco agudo, a exposição estimada é comparada à Dose de Referência Aguda (DRfA), definida pela concentração de resíduos presentes nos alimentos que pode ser ingerida em até 24 horas, sem causar efeitos adversos à saúde.

O risco crônico: Na avaliação do risco crônico, a exposição estimada é comparada à Ingestão Diária Aceitável (IDA), definida pela quantidade de resíduos presente nos alimentos que pode ser ingerida diariamente ao longo da vida, sem oferecer risco à saúde do consumidor.


Agrotóxicos nos alimentos análise de risco 2017

O risco agudo relativo a 0,89% das amostras analisadas é decorrente de situações específicas e de origem conhecida. Segundo a Anvisa, as providências com vistas à mitigação dos riscos, já foram tomadas.

Um aspecto importante é que essas avaliações sempre são feitas com alimentos inteiros, incluindo cascas, que, em alguns casos, não são comestíveis. Nesses casos, com a eliminação da casca, a possibilidade de risco é diminuída.

Que ações estão sendo realizadas para reduzir os resíduos de agrotóxicos nos alimentos?

Os resultados sobre a quantidade de resíduos de agrotóxicos nos alimentos são o alicerce para que providências sejam tomadas. Se forem encontrados riscos para a saúde, a ANVISA verifica qual produto químico é o responsável e, adota medidas para impor restrições a seu uso, incluindo a possibilidade de sua proibição. Essas atitudes contribuem para aumentar a segurança alimentar da população.

Rastreabilidade de alimentos - mobileAlém disso, uma iniciativa conjunta dos órgãos governamentais levou à aprovação da Instrução Normativa Conjunta nº 2, que instituiu a rastreabilidade de alimentos. Essa recomendação envolve um conjunto de procedimentos que permitem detectar a origem e acompanhar a movimentação de um produto ao longo da cadeia produtiva.

Dessa forma, os consumidores conseguem recuperar todo o processo pelo qual passou um produto, desde sua produção até o consumo.

De que forma o sistema regulatório interfere na redução de resíduos dos agrotóxicos nos alimentos?

Para evitar a presença de resíduo de agrotóxico nos alimentos, ainda em sua fase de desenvolvimento, o produto químico é projetado para ser degradado na cultura e no ambiente antes da colheita.

Todo o sistema regulatório avalia as condições para que o produto químico seja aplicado de modo que, no momento da colheita, ou não se tenha resíduo no alimento colhido ou que ele esteja na quantidade mínima de modo que não afete a saúde do consumidor.

Registro de agrotóxicos

Para que os agrotóxicos sejam registrados, são realizadas avaliações pela ANVISA, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

A ANVISA avalia esses produtos do ponto de vista do risco para a saúde humana. O MAPA analisa a eficácia dos produtos no campo e o IBAMA os investiga pela ótica da possibilidade de danos ao meio ambiente. Ao final, o MAPA formaliza o registro com o aval dos três órgãos envolvidos.

Seja um consumidor consciente

Higienização de hortifruti - mobileUm consumidor consciente deve optar por alimentos rotulados com a identificação do produtor, isso é rastreabilidade, o que contribui para o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos seus produtos e à adoção de Boas práticas agronômicas.

Sempre lavar os alimentos, independentemente de sua origem. A higienização desses produtos reduz a chance de haver contaminação por microrganismos causadores de doenças.

A possibilidade de haver uma contaminação por fungos e bactérias é muito maior do que uma eventual intoxicação referente a resíduos de agrotóxicos nos alimentos.

Priorizar alimentos da época, ou produzidos com técnicas de manejo integrado de pragas, reduz a exposição dietética a agrotóxicos.

E o mais importante, não tenha medo de consumir regularmente frutas, legumes e verduras. Incluir esses alimentos na dieta diminui o risco de contrair certos tipos de câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis, devido à presença de fibras e compostos reconhecidamente benéficos à saúde.

Lembre-se, o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é o consumo de pelo menos 400 g/dia de frutas legumes e verduras.

 

Fonte: Hortifruti

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