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Agrotóxicos nos alimentos: devo me preocupar?

08/04/2019

Agrotóxicos nos alimentos

A presença de agrotóxicos nos alimentos preocupa a grande maioria das pessoas, mas será que eles podem mesmo ser prejudiciais à saúde?

Para que um agrotóxico (defensivo agrícola, pesticida ou produto fitossanitário) seja aplicado nas plantações, diversas recomendações devem ser seguidas. Por exemplo, na própria bula do agrotóxico é especificado um “período de carência”. Esse termo refere-se ao número de dias que o produtor deve esperar após a aplicação para fazer a colheita. 

Quando esse período for observado, os alimentos serão seguros para consumo. Isso porque, mesmo que apresentem algum resíduo, eles estarão dentro do limite de segurança. Ou seja, níveis baixíssimos dessas substâncias. Nesses casos, esses produtos não colocam em risco a saúde do consumidor.


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Índices que determinam o limite de agrotóxicos nos alimentos

Os limites de segurança dos agrotóxicos nos alimentos são definidos por meio de estudos para cada tipo de agrotóxico. Esses limites são estabelecidos com base na quantidade de resíduos que podem ser consumidos por uma pessoa sem representar qualquer risco para a saúde dela.

Para medir esse limite, foi criado um índice chamado Limite Máximo de Resíduo (LMR). Esse índice é determinado e divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) de forma específica para cada produto químico comercializado.

Além do LMR, a ANVISA também estabeleceu o índice Ingestão Diária Aceitável (IDA). O IDA é a concentração máxima de resíduo de agrotóxico que pode ser ingerida por dia, por uma pessoa, durante toda a vida, de modo a não causar danos à saúde.

É obtida por meio de estudos toxicológicos que são submetidos à ANVISA na ocasião de registro do defensivo. Essa dose é dividida centenas de vezes para se ter a segurança de que, de fato, é um limite aceitável e não prejudicial à saúde.

 

Como o índice de agrotóxicos nos alimentos é avaliado?

Desde 2001, contamos com o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), criado pela ANVISA. O objetivo da iniciativa é avaliar os níveis de agrotóxicos nos alimentos que chegam à mesa do consumidor.

Esse programa é coordenado em conjunto com outros órgãos estaduais e municipais de saúde pública. A análise é feita a partir de amostras coletadas em pontos de venda pelas vigilâncias sanitárias dos estados e municípios, que as enviam para laboratórios especializados. 

O mais recente relatório realizado pelo PARA mostrou que, de 2013 a 2015, a grande maioria dos alimentos monitorados era segura para consumo humano. Portanto, mesmo com o uso agrotóxicos para proteger as culturas agrícolas das pragas, o controle e a fiscalização fazem com que seja seguro consumir esses alimentos.Agrotóxicos nos alimentos - Amostras analisadas

Além disso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) realiza, desde 2006, o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal). O PARA e o PNCRC são responsáveis pela fiscalização do cumprimento das boas práticas de aplicação de defensivos agrícolas no campo.

 

Agrotóxicos nos alimentos: quais são os riscos reais?

Sabemos que, em alguns casos, pode haver resíduos de agrotóxicos nos alimentos. Mas o que a ciência, os relatórios, as agências reguladoras e os toxicologistas dizem a respeito disso?

O último relatório apresentado pelo PARA trouxe, por exemplo, a informação acerca dos riscos agudos que esses resíduos poderiam representar para a nossa saúde. Do total de 12.051 amostras analisadas, quase 99% foram consideradas seguras.Agrotóxicos nos alimentos-análise de risco

Para obter essa informação, a Anvisa monitorou o risco agudo relacionado às intoxicações que podem ocorrer dentro de um período de 24 horas após o consumo do alimento que continha resíduos. Os alimentos avaliados foram cereais, leguminosas, frutas, hortaliças e raízes. Eles foram selecionados em função da porcentagem de consumo desses alimentos pelos brasileiros.

Esse tipo de avaliação, comum na Europa, Estados Unidos, Canadá e outros países, também leva em consideração a quantidade de determinado alimento consumido pela população.

Um aspecto importante é que essas avaliações sempre são feitas com alimentos inteiros, incluindo cascas, que, em alguns casos, não são comestíveis. Nesses casos, com a eliminação da casca, a possibilidade de risco é diminuída.


Independentemente da presença ou não de resíduos de agrotóxicos, é importante fazer a higienização dos alimentos. Isso porque a lavagem reduz a chance de haver contaminação por microrganismos causadores de doenças. Os consumidores estão muito mais expostos aos riscos causados por esse tipo de contaminação do que pela eventual presença de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. 


Que ações estão sendo realizadas para reduzir os resíduos de agrotóxicos nos alimentos?

Rastreabilidade de alimentos - mobileOs resultados sobre a quantidade de resíduos de agrotóxicos nos alimentos são o alicerce para que providências sejam tomadas. Se forem encontrados riscos para a saúde, a ANVISA verifica qual produto químico está é o responsável e, adota medidas para impor restrições a seu uso, incluindo a possibilidade de sua proibição. Essas atitudes contribuem para aumentar a segurança alimentar da população. 

Além disso, uma iniciativa conjunta dos órgãos governamentais levou à aprovação da Instrução Normativa Conjunta nº 2, que instituiu a rastreabilidade de alimentos. Essa recomendação envolve um conjunto de procedimentos que permitem detectar a origem e acompanhar a movimentação de um produto ao longo da cadeia produtiva. Dessa forma, os consumidores conseguem recuperar todo o processo pelo qual passou um produto, desde sua produção até o consumo.

 

De que forma o sistema regulatório interfere na redução de resíduos dos agrotóxicos nos alimentos?

Para evitar a presença de resíduo de agrotóxico nos alimentos, ainda em sua fase de desenvolvimento, o produto químico é projetado para ser degradado na cultura e no ambiente antes da colheita.

Todo o sistema regulatório avalia as condições para que o produto químico seja aplicado de modo que, no momento da colheita, ou não se tenha resíduo no alimento colhido ou que ele esteja na quantidade mínima de modo que não afete a saúde do consumidor.

 

Registro de agrotóxicos

Para que os agrotóxicos sejam registrados, são realizadas avaliações pela ANVISA, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). 

A ANVISA avalia esses produtos do ponto de vista do risco para a saúde humana. O MAPA analisa a eficácia dos produtos no campo e o IBAMA os investiga pela ótica da possibilidade de danos ao meio ambiente. Ao final, o MAPA formaliza o registro com o aval dos três órgãos envolvidos.

 

Fonte: Hortifruti

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