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Alho e cebola: o refogado a cara do Brasil

30/10/2020

alho e cebola

Alho e cebola formam uma dupla de muito sabor. Por isso, dó de imaginá-los juntos, em uma frigideira, é de dar água na boca. Afinal, é difícil dar início a uma receita sem usar essa combinação.

Assim, além de estarem presentes quase que diariamente em nossas refeições, alho e cebola tem muito mais em comum. Nesse sentido, ambos são hortaliças pertencentes à mesma família Aliácea e identificados como bulbos. Ou seja, eles representam folhas modificadas.

Diferentemente das raízes, todavia, os bulbos são estruturas com características de reserva de energia e também de reprodução (brotamento).


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Por isso, fique com a gente e você irá descobrir muitas outras curiosidades, benefícios e modos de produção dessas duas hortaliças tão presentes em nossa culinária.

Os benefícios do alho e cebola

A principal forma de se usar alho e cebola é como refogado: bem picado e dourado no azeite sem deixar queimar. Por serem utilizados em pequena quantidade, não elevam o valor calórico dos alimentos de forma expressiva. Dessa forma, se pensarmos em 10g do alimento cru, teremos para o alho 12 calorias e na cebola 04 calorias.

Dessa forma, além de agregar sabor característico às preparações, eles trazem para o prato propriedades nutricionais benéficas à saúde. Sendo assim, os compostos fenólicos são antioxidantes naturais e contribuem, quando associados a um hábito alimentar saudável, na prevenção de doenças.

Na cebola encontramos a quercetina (flavonol) e as antocianinas (flavonoides). A quercetina, presente na cebola branca e roxa, é o principal composto fenólico presente na alimentação. Por sua vez, as antocianinas, presentes na cebola roxa, são uma família de pigmentos naturais responsáveis pelas cores vermelho-laranja a azul-violeta. Nesse sentido, o consumo regular destes compostos fenólicos está associado à redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis em função da ação antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana.

Enquanto isso, no alho encontramos os compostos organossulfurados, com destaque para a alicina, responsáveis pelo odor característico deste alimento. Sendo assim, a quantidade da substância e seus derivados dependem do cultivo, maturação, processamento, armazenamento e manipulação.

Dupla substituta do sal

Além dos benefícios dos nutrientes, o alho e cebola ainda podem ser aproveitados como substitutos do sal. Isso ocorre uma vez que seu sabor pode ser muito bem incorporado ao alimento, sem a necessidade de adicionar muito sal. Vale lembrar que esse ingrediente em excesso pode fazer mal à saúde.

Conheça cinco curiosidades sobre o alho.

alho e cebola e sal

Pergunte ao Google, nós respondemos!

Confira, abaixo, algumas das perguntas mais frequentes sobre a dupla alho e cebola!

Consumir alho, cebola e mel faz bem?

Com base nas diretrizes de saúde relacionadas às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), não existem recomendações referentes aos compostos bioativos presentes nestes alimentos. Ou seja, esses alimentos não devem ser consumidos com objetivo de tratar alguma doença.

O alho ou a cebola causam gastrite, ou possuem alguma contraindicação?

Alho e cebola fazem parte de um conjunto de alimentos que apresentam em sua composição carboidratos que nosso organismo não é capaz de digerir. Nesse sentido, quando fermentados por microrganismos que habitam no nosso intestino, podem causar desconforto como distensão abdominal, flatulência e cólica abdominal.

As versões em pó ou desidratadas do alho e da cebola fazem mal à saúde?

O processamento e o armazenamento geralmente proporcionam alterações em maior ou menor grau no sabor, odor e nas características nutricionais. Processos de corte, trituração, aquecimento e outros, comuns ao processamento de alho e cebola, produz alterações nas características do produto in natura sem, no entanto, prejudicar o benefício que eles trazem a saúde.

Na hora de refogar, quem vai primeiro, o alho ou a cebola?

Ao preparar o refogado, adicione a cebola no azeite já quente e espere começar a ficar transparente e começar a dourar. Então, esse é o momento de adicionar o alho. Assim, alho e cebola ficaram prontos ao mesmo tempo e sem queimar.

Alho e cebola: origem e produção

O alho e a cebola pertencem a família Aliácea, que no mundo científico recebem o nome Allium sativum L. (alho) e Allium cepa L. (cebola). Ambas hortaliças são bastante antigas, de origem Asiática, hoje amplamente difundidas pelo mundo.

O alho era considerado uma planta medicinal, pelos povos antigos, sendo até hoje usada contra gripes e resfriados. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), é um alimento rico em vitaminas do complexo B e apresenta quantidade expressiva de fósforo. Enquanto isso, a cebola apresenta menor importância nutricional como fonte de vitaminas e sais minerais.

No Brasil, alho e cebola chegaram juntamente com os portugueses na época da colonização e ganharam importância socioeconômica, sendo cultivados por pequenos, médios e grandes agricultores. Além disso, por apresentarem alto rendimento em pequenas áreas, são uma ótima opção para agricultura familiar.

A produção no Brasil

Alho e cebola apresentam preferência por temperaturas mais baixas, tendo sua produção concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Todavia, avanços em técnicas de plantio e pesquisas de melhoramento genético foram desenvolvidas, permitindo a expansão da cultura com variedades mais adaptadas a regiões mais quentes.

cidades produtoras de alho e cebola

Nesse sentido, um pouco mais de 11 mil hectares foram destinados ao plantio de alho, que renderam uma produção de 131 mil toneladas da hortaliça em 2019. Enquanto que, no mesmo ano, plantou-se cebola em quase 49 mil hectares. Aqui, houve a colheita de 1 milhão e meio de toneladas.

Ainda, nos últimos 20 anos, houve expressivo aumento na produção de alho e cebola. Em 1999, o Brasil produzia cerca de 69 mil toneladas de alho e 988 mil toneladas de cebola, aumento de aproximadamente 48% e 34%, respectivamente.

Além disso, a cultura da cebola segue sendo preferencialmente cultivada na região sul, com Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentando maior produção da hortaliça. No entanto, houve mudança nos principais estados produtores de alho. Atualmente, Minas Gerais e Goiás são os que mais produzem alho no Brasil, superando estados da região Sul.

Ciência na sua casa

Além do desenvolvimento de novas variedades de alho, uma técnica conhecida como vernalização foi muito importante para expansão da cultura da hortaliça.  A técnica consiste em armazenar os bulbos que serão utilizados para o plantio em câmaras frias. Com isso, é possível induzir, de forma uniforme e adiantada, o desenvolvimento da planta, o que antecipa a colheita e diminui o período de entressafra.

No caso da cebola, sua produção era praticamente inviável nos períodos mais quentes e chuvosos do ano. Isso só mudou quando, na década de 2000, lançou-se cultivares resistentes a doenças que eram comuns em época de calor e muita umidade. Dessa forma, foi possível plantar a hortaliça nos meses de novembro e dezembro, abastecendo o mercado com produtos nacionais e preços mais acessíveis.

Você sabia?

O alho e a cebola são caules modificados. Cientificamente eles recebem o nome de caules tipo bulbo.

alho e cebola são caules

Alho e cebola do Brasil

Apesar de muito investimento e esforço dos produtores de alho e cebola nacional, o Brasil ainda não consegue suprir a sua demanda interna desses alimentos. Com isso, importam-se várias toneladas de alho e cebola todo ano, de diferentes países como Argentina, China e Espanha.

Há chances do Brasil vir a ser autossuficiente em breve. No entanto, maior investimento em pesquisas de adaptação de cultivares, manejo, irrigação e expansão da cultura para outras áreas em diversas regiões, são necessários.

No entanto, você pode ajudar a valorizar o trabalho do agricultor Brasileiro. Por isso, não deixe de conhecer a Associação Nacional Dos Produtores de Alho (ANAPA) e associação Nacional de Produtores de Cebola (ANACE).

Assista os vídeos a seguir, aprenda a diferenciar o alho nacional do alho Chinês e conheça também um pouco mais sobre a produção de cebolas no país.

 

 

Alho e cebola: dicas para comprar, preservar e consumir

É possível encontrar ambas hortaliças durante todo o ano, seja na feira ou no mercado. No entanto, os produtos nacionais estão disponíveis em maior quantidade durante o segundo semestre. Por isso, nessa época, é comum preços mais baixos para o alho e cebola.

Ao escolher o alho, prefira aqueles bulbos mais firmes, que a casca se solte com facilidade. Já as cebolas, escolha aquelas que forem firmes, com casca seca e prefira as mais pesadas.

Tanto o alho como a cebola são alimentos de alta durabilidade e para preservá-las bem, basta colocá-las em um local fresco e arejado. Além disso, evite umidade. Isso mesmo, não precisa colocar na geladeira!

Farofa de alho e cebola

Para preparar uma farofa de alho e cebola, você vai precisar de:

  •         500 g de farinha tipo fina;
  •         200 g de manteiga;
  •         2 cebolas médias picadas;
  •         1 cabeça grande de alho;
  •         sal a gosto.

Primeiramente pique a cebola e alho. Aqueça uma panela e derreta a manteiga, em seguida adicione a cebola e espere dourar. Adicione o alho e espere dourar, com cuidado para não queimar. Depois, coloque o sal neste refogado e mexa. A farinha deve ser adicionada por completo, não deixe de mexer durante o processo.

Em fogo baixo mexa sem parar, rodando bem na superfície da panela de forma a espalhar a farinha. O tempo médio de preparo é de 15 minutos, até que toda a farofa fique dourada.

 

Junto do alho e da cebola, o tomate dá forma a deliciosos caldos utilizados na culinária brasileira. Saiba mais sobre o tomate com o nosso conteúdo exclusivo!

 

Principais fontes:

CEAGESP. Sazonalidade dos produtos comercializados no etsp 2014 a 2018. Disponível em: http://www.ceagesp.gov.br/wp-content/uploads/ 2015/06/TAbela-de-sazonalidade-2014-a-2018.pdf. Acesso em: 20/10/2020.

EMBRAPA. Alho e cebola. Disponível em: https://www.embrapa.br/hortalicas. Acesso em: 20/10/2020.

IBGE. Sistema IBGE de Recuperação Automática. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/pam/tabelas. Acesso em: 20/10/2020

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