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Alimentos orgânicos e alimentos convencionais: o que são?

14/11/2018

Alimentos orgânicos e alimentos convencionais

Alimentos orgânicos e alimentos convencionais, você sabe a diferença? Neste artigo, vamos apresentar a resposta para as perguntas mais comuns de quem está querendo entender de vez qual a diferença entre essas duas formas de produção.

O que são alimentos orgânicos?

Alimentos orgânicos são aqueles produzidos de acordo com as práticas e princípios da agricultura orgânica. Esse sistema agrícola é aquele que preconiza a otimização do uso de recursos naturais, minimizando a adoção de energia não-renovável. Ele emprega, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos em contraposição ao uso de materiais sintéticos e organismos geneticamente modificados.

São alimentos produzidos em sistemas que não utilizam compostos sintéticos ou transgênicos. Tem como princípio básico o uso sustentável do meio ambiente. A ideia é produzir da forma mais natural possível.

Além disso, no caso de alimentos processados, é proibido o uso de radiações ionizantes e de aditivos químicos sintéticos, como corantes e emulsificantes, por exemplo.

Esses alimentos são mais suscetíveis a pragas e estragam com mais facilidade. Por isso o consumidor deve ter muita confiança no produtor para evitar a compra de produtos contaminados.


A cera de carnaúba é muito utilizada na agricultura convencional e pode ser usada na agricultura orgânica. O objetivo desse produto é evitar que frutos percam água de forma excessiva.


Uma das formas de verificar que alimento está de acordo com os parâmetros de qualidade e segurança estabelecidos  por lei é procurar por selos de qualidade emitidos por certificadoras reconhecidas pelo Ministério da Agricultura (MAPA), como Associação de Agricultura Orgânica (AAO) e o Instituto Biodinâmico (IBD), por exemplo.

Os únicos produtores que não precisam do selo são os agricultores familiares, que fazem parte de organizações de controle social cadastradas no MAPA, e que comercializam exclusivamente em venda direta aos consumidores.

 

O que são alimentos convencionais?

Alimentos convencionais são aqueles que contam com a utilização de insumos e tecnologias agrícolas (fertilizantes e defensivos químicos, entre outros). Esse tipo de plantio tem ênfase na produtividade em larga escala. Gera alimentos mais padronizados em relação ao tamanho, peso, coloração e textura.

Esses alimentos geralmente têm maior durabilidade devido às tecnologias neles utilizadas, assim conseguem atender grandes demandas, tanto nacionais como internacionais.


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Alimentos orgânicos e alimentos convencionais, qual o mais nutritivo?

Algumas pessoas acreditam que alimentos orgânicos são mais nutritivos, mais saudáveis, mais seguros que os convencionais. Porém, o que muitos não sabem é que nenhum dessas afirmações é necessariamente verdade. De acordo com a ciência, tanto a produção orgânica como os demais sistemas de cultivo precisam seguir boas práticas para evitar quaisquer tipos de contaminação.

Com o aumento da procura por alimentos orgânicos, pesquisas foram realizadas com o objetivo de esclarecer se esses alimentos seriam mais nutritivos do que os alimentos convencionais. Os estudos realizados até hoje apontam um nível de nutrientes idêntico entre frutas e hortaliças orgânicas e convencionais.

Alimentos orgânicos e convencionais

De acordo com dados levantados pelos cientistas Bourn e Prescott, com exceção do conteúdo de nitrato e do teor de matéria seca mais elevado, não há nenhuma evidência forte de que os alimentos orgânicos e convencionais sejam diferentes em relação a composição nutricional.

Além disso, a maioria dos estudos sobre a qualidade nutricional de alimentos orgânicos e convencionais faz comparativos de teores de nutrientes, entretanto são praticamente inexistentes os estudos de cunho epidemiológico que fazem uma associação com a saúde humana. Isso porque, a comparação é difícil de ser realizada, pois os hábitos de consumo e estilos de vida de consumidores também são diferenciados.

 

Alimentos orgânicos também podem conter resíduos químicos

O fato de, sempre que possível, serem utilizados produtos não sintéticos, não implica a proibição desses produtos para a produção de alimentos orgânicos. Isso mesmo, na agricultura orgânica, também podem ser utilizados alguns tipos de agrotóxicos. Um exemplo é o fungicida conhecido como calda bordalesa, composto por cal virgem e sulfato de cobre. Seu uso é permitido na agricultura orgânica por ser considerado pouco tóxico.

Ainda assim, esses produtos são tóxicos. Isso implica que é preciso usar equipamentos de proteção individual (EPIs) para aplicá-los e respeitar as doses recomendadas na bula. Desse modo é possível evitar que agricultores sejam expostos ao produto e que solo e plantas sejam prejudicados. Além disso, somente se as boas práticas agronômicas forem respeitadas os produtos orgânicos serão livres de resíduos de agrotóxicos acima do limite máximo permitido.

Tanto os alimentos orgânicos como os alimentos convencionais precisam de boas práticas de produção

Alimentos orgânicos e alimentos convencionaisNa produção de alimentos orgânicos, além da já mencionada possibilidade de utilização de produtos químicos, ocorre maior uso de adubos orgânicos como esterco e compostagem. Alimentos produzidos por meio desse tipo de manejo ficam mais expostos aos microrganismos causadores de doenças em humanos.

Uma pesquisa do Centro de Saúde da Coreia mostrou que o risco de contaminação microbiológica é maior nos cultivos orgânicos do que nos cultivos convencionais. O levantamento enfatiza a importância de medidas de controle na produção de hortaliças orgânicas, assim como no seu processamento pós-colheita para reduzir o risco de intoxicação alimentar.

 

Alimentos orgânicos nem sempre são produzidos de forma mais sustentável

Embora a produção de alimentos orgânicos tenha como objetivo produzir com mais sustentabilidade, nem sempre isso ocorre. Esse tipo de produção necessita de mais terra, mais mão de obra e apresenta mais risco de perdas por ocorrência de pragas. Tudo isso aumenta o custo de produção, tornando o produto mais caro. Além disso, há prejuízos ambientais devido à necessidade de aumentar a área plantada para produzir mais.

A agricultura moderna utiliza as mais variadas tecnologias disponíveis para aumentar a produtividade. Isso significa produzir mais em menor área. As ferramentas utilizadas atualmente envolvem a otimização de recursos, mão de obra e insumos.

Agrotóxicos cada vez mais específicos e mais eficientes estão sendo liberados para que outros possam ser gradualmente retirados do mercado, reduzindo ainda mais os riscos de manuseio desses produtos e de possíveis contaminações do meio ambiente.

Como lidar com os agrotóxicos?

Um dos principais receios em relação ao alimento convencional reside no fato deste contar com o uso de agrotóxicos. Esse temor não é infundado. Pesquisas já indicaram que pessoas expostas à alta dosagem de agrotóxicos podem desenvolver problemas crônicos. Exemplos: diminuição de fertilidade e o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

No entanto, de acordo com literatura científica e a maioria dos especialistas, a aplicação controlada de fertilizantes, defensivos agrícolas e outros produtos químicos não causam dano à saúde. O que gera preocupação é o uso excessivo e descontrolado desses produtos.

Um defensivo agrícola deve ser visto como um remédio contra pragas da lavoura. Assim como um medicamento, os produtos químicos a serem utilizados na produção de alimentos também precisam de receita. Nesse caso, elas são chamadas de receituário agronômico. Esse receituário precisa ser elaborado por um engenheiro agrônomo e para a sua aplicação deve ter descrito: o alvo (ou seja, a praga), a dosagem, o diagnóstico da área, entre outros dados.

Além disso, é necessário que o produto utilizado tenha registro nos órgãos competentes. Hoje no Brasil, o registro é um processo demorado, que segue rigorosos padrões internacionais. O produto precisa ainda ser aprovado e fiscalizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), MAPA, IBAMA e Ministério da Saúde.

Por isso, antes de comprar um alimento, o ideal é que o consumidor saiba qual a fonte, para saber se todos os passos acima foram seguidos corretamente e que o alimento convencional é seguro.


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Em um País com o clima tropical, o uso de defensivos químicos em lavouras convencionais comerciais é visto como essencial por muitos produtores. As altas temperaturas, a umidade e a ausência de invernos rigorosos faz com que as pragas se desenvolvam em um ritmo muito acelerado. Torna-se, então, necessário algum tipo de controle.

Entretanto, o uso de tecnologia pode mudar a forma desse controle. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o manejo integrado de pragas reduz a aplicação de defensivos químicos em cerca de 50%.

 

Mas então, qual a melhor opção?

Depois de ler todo o artigo e aprender o que são alimentos orgânicos e convencionais, você ainda pode estar se perguntando qual a melhor opção para seu dia a dia. É importante entender que não existe vilão quando abordamos a produção de frutas e hortaliças e que o principal para uma vida mais saudável, é aumentar o consumo desses alimentos.

 

Fonte: Critical Reviews in Food Science and Nutrition, EMBRAPA, Foodborne pathogens and disease

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