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Você conhece o chiclete cuiabano? Descubra a bocaiuva, uma delícia do Mato Grosso

28/06/2018

bocaiuva

O Brasil é um país de dimensões continentais e, por isso, é comum que algumas frutas e hortaliças muito conhecidas em certas regiões passem despercebidas em outras. A bocaiuva é um desses casos. Muito utilizada no Centro-Oeste brasileiro, com destaque para a região do pantanal mato-grossense, o fruto dessa planta tem sabor adocicado e é bastante comum nos doces da culinária local. Aparece, por exemplo, como ingrediente de pudins, cremes, sorvetes e bolos. Além disso, vai em pratos salgados, como no pintado (peixe da região) ao creme de bocaiuva.

A bocaiuva é uma palmeira espinhosa cujo caule pode crescer até 15 metros. Seus frutos são redondos, pequenos (de 2,5 a 5,0 cm) e se apresentam dispostos em cachos com cerca de 50 unidades. Quando madura, a fruta cai naturalmente. Nesse momento, apresenta uma casca fina e quebradiça que protege a polpa alaranjada, macia e fibrosa. Aliás, também é possível consumir a amêndoa, que fica no interior do fruto.

De acordo com a tradição popular, o fruto da bocaiuva tem diversas denominações. Isso não só inclui o nome da palmeira que lhe dá origem mas também macaúba, macaíba, macaúva, coco-baboso, coco-de-espinho e coco-macaúba. Porém, uma das nomenclaturas mais folclóricas se deve ao aspecto grudento do fruto (como a Jaca) e à região onde é farto. Em Cuiabá e no entorno da capital mato-grossense, a bocaiuva é chamada de chiclete cuiabano.

Bocaiuva e a nutrição

Apesar de pequeno, o fruto é grande do ponto de vista nutricional. De acordo com a Tabela de Composição de Alimentos (TACO) a bocaiuva é um fruto cujo principal componente são os lipídeos (40,7g do nutriente em 100g do fruto), o que justifica seu valor energético (404 Kcal em 100g).

Porém, não vamos parar por aí. Os ácidos graxos presentes em maior quantidade na bocaiuva são os insaturados (benéficos para a saúde), com predomínio do oleico (mesmo ácido graxo encontrado no azeite de oliva). De brinde temos também o linoleico (ácido graxo considerado como essencial pois nosso organismo não o produz). Ao mesmo tempo, o fruto é fonte de vitamina A e contém vitamina C.

Bocaiuva além da culinária

A utilização da bocaiuva não se restringe à culinária. Pesquisadores da Embrapa Pantanal, inclusive, apontam que a planta tem propriedades medicinais. Segundo a tradição dos povos desta região, a seiva da bocaiuva pode ser utilizada no tratamento da erisipela, uma doença infecciosa aguda, causada por estreptococos, caracterizada por uma inflamação da pele.

Outro uso possível é o artesanato feito com as palhas da palmeira. As folhas também são utilizadas para suplementação alimentar de cavalos e bois, servindo como reforço na ração dos animais. Adicionalmente, na construção de casas, a planta também pode ser empregada: a palha como telhado, os frutos como brita e a madeira como parede.

O óleo extraído da castanha da bocaiuva também tem potencial para o uso como biocombustível. É o que apontam estudos conduzidos pela Embrapa Pantanal. Isso só comprova a vocação versátil da planta. Das folhas aos frutos, tudo pode ser aproveitado.

 

Onde encontrar a bocaiuva

A planta é típica do Brasil Central, onde há uma vegetação que mescla Cerrado e Mata Atlântica, mas também aparece em outros Estados e países da América do Sul. Entretanto, não é tão fácil comprar a bocaiuva longe do Mato-Grosso e do Mato-Grosso-do-Sul, estados onde ocorre naturalmente. Nessas localidades seus frutos são coletados para serem comercializados em feiras livres, mercados hortifrutigranjeiros e por vendedores ambulantes.

Assim, o produto da bocaiuva mais comum em outras regiões é a farinha. Isso porque conta com a facilidade de armazenamento, não estragando tão facilmente quanto os frutos in natura. Os produtos culinários feitos com o fruto e até mesmo com a polpa podem ser encontrados em localidades pantaneiras.

 

Receita de Creme Brulée de Bocaiuva

A versatilidade da bocaiuva faz com que ela seja um ingrediente perfeito para a criatividade na cozinha. Aliando a tradição pantaneira e a doceria francesa, é possível preparar um delicioso creme brulée com a fruta.

 

Ingredientes

240 ml de leite
½ colher de chá de semente de erva doce
2 colheres de sopa de farinha de bocaiúva
1 colher de sopa de açúcar cristal
2 colheres de chá de açúcar (caramelizar)

 

Modo de preparo

Primeiramente, leve o leite a panela para ferver com a erva doce. Passe pela peneira, e ainda quente leve ao liquidificador com a farinha de bocaiuva e açúcar. Bata até que ele emulsione. Coloque nos potinhos e leve a gelar.

 

Modo de servir:

Retire da refrigeração, forre a superfície com açúcar cristal e caramelize com o maçarico. Rende 4 porções de 60 ml

E aí? Gostou de conhecer essa fruta típica do Mato Grosso? Em nossa Viagem pelo Brasil em 15 Alimentos Regionais já passamos por Bahia, Goiás, Minas Gerais e Pará.  Quer ajudar a gente a fazer percorrer esse inesquecível roteiro gastronômico? Vá lá no nosso Facebook e conte para gente que outra delícia regional você conhece ou quer conhecer!

 

Fonte: Hortifruti, 27 de junho de 2018

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