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Cacau: o ouro negro ressurge no cenário brasileiro

29/03/2018

Todo chocólatra de plantão sabe que a chegada da Páscoa significa aumento na quantidade de chocolate disponível. Neste ano, no fim de março, além da data religiosa também comemoramos o Dia do Cacau no Brasil (26). Veja abaixo alguns motivos para celebrarmos a matéria-prima do chocolate:

  • Há expectativa de que a entrega de matéria-prima local à indústria de processamento do cacau aumente 10% neste ano;
  • Espera-se um crescimento de 8% no faturamento com a fruta em 2018, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O cultivo do cacau vem de longa data. Quando os primeiros colonizadores aportaram na América, os povos nativos, principalmente os Astecas e os Maias, já cultivavam a planta. À época, produzia-se uma bebida sagrada conhecida como xocoatl. A fruta era considerada um tesouro para esses povos e chegou a ser utilizada como moeda de troca. A forma como consumimos o chocolate hoje em dia é bem diferente, mas o prazer gerado por esse alimento, resultante da torra da amêndoa do cacau, é sucesso há muito tempo.

 

O cacau em terras Brasileiras

O nome científico da planta é Theobroma cacao (do grego, alimento dos deuses). Em nosso País, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados no Brasil – Abicab – esse “fruto sagrado” chegou primeiro no estado do Pará, trazido pelo colonizador francês Louis Frederic Warneaux, em 1786. As sementes também caíram nas mãos de Antônio Dias Ribeiro, que deu início ao plantio na Bahia.

O cacau se adaptou muito bem à terra de Jorge Amado graças ao clima quente e úmido da região de Ilhéus e também ao tipo de vegetação do local, que oferecia sombra à plantação. Depois do ápice da produção, o cultivo sofreu com as pragas, principalmente a Vassoura de Bruxa, detectada em 1989. Em poucos anos a doença se espalhou por quase todas as propriedades e a produção, que chegou a representar 60% do PIB baiano, foi fortemente prejudicada.

Hoje é outro Estado que lidera a produção nacional: o Pará. De acordo com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Estado do norte do País já responde por cerca de 50% do cacau produzido por aqui. A Ceplac projeta que esse cenário deve permanecer em 2018. Além disso, a produtividade no Pará é de 911 kg/hectare, maior que a média mundial de 550 kg/hectare.

 

Ameaças ao cacau

Com o aumento gradual da temperatura global, a erosão e a contaminação do solo, o cultivo, que por si só é complexo, tem se tornado cada vez mais difícil. Especialmente porque 90% da produção é feita em pequenas propriedades da mesma forma há centenas de anos. Em consequência disso, o chocolate pode se tornar um produto raro nos próximos anos, alertam pesquisadores.

Uma alternativa para a salvação da lavoura é a biotecnologia. A iniciativa privada, por exemplo, em parceria com pesquisadores da Universidade Berkeley, está investindo pesado nessa vertente. A principal meta é criar uma planta transgênica mais resistente ao calor e à umidade. Um desses trabalhos estuda inserir no genoma do cacaueiro genes de mandioca responsáveis por inibir a produção de toxinas em altas temperaturas.

 

Muito além do chocolate

Nem só de chocolate vive o cacau. A polpa branca, que envolve as amêndoas, é outro presente que a natureza nos deu. Docinha quando o fruto está maduro e azedinha antes da maturação, é um ótimo ingrediente para sucos, iogurtes, geleias, mousses, pudins, sorvetes, destilados e fermentados, a exemplo do vinho e do vinagre.

Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Taco), o cacau tem baixo valor calórico (74 mg 100 g) e contém magnésio e cálcio. Além disso, a casca do fruto também pode ser aproveitada. Ela serve para alimentar a criação de gado, suínos, aves e peixes.

Com tantos usos e vantagens fica fácil entender porque o cacau é conhecido como ouro negro.

Fonte: Hortifruti, 29 de março de 2018

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