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Chá ou infusão? Entenda as diferenças e benefícios para a sua saúde.

30/07/2020

chá

Chás e infusões são apreciados no mundo quer por seu aroma e cores atraente, seu sabor específico, quanto por propriedades terapêuticas atribuídas a essas bebidas.

O ritual entorno do “tomar chá” remete a vários símbolos e significados que envolvem cenários dos mais diversos. Quem não se lembra do glamour da porcelana utilizada para servir o famoso “Chá da Tarde”? Sempre acompanhado de iguarias a convidados especiais. Ou da primeira refeição servida no hospital após longo período de jejum? Uma xícara de chá solitária ou no máximo acompanhada de uma torrada. Ou ainda do chá quentinho, preparado pela mãe ou avó quando não estamos muito bem (aquece o coração).

Mas será que tudo que chamamos de chá é realmente um chá? E o que seriam as infusões?

A história do chá

chá de camomilaÉ comum chamar de chá qualquer bebida quente com alguma planta como hibisco, camomila ou até mesmo canela. Mas o que talvez você não saiba é que, historicamente, os diferentes tipos de chá são preparados apenas de uma planta, a Camellia sinensis, ou popularmente conhecida como chá-da-índia.

Nesse sentido, acredita-se que o chá já fosse consumido pelos chineses há pelo menos 5 mil anos, com origem no nordeste da Índia, norte da Birmânia e sudoeste da China. Alguns historiadores apontam o vale de Assam como local onde a planta cresceu primeiro.

O chá foi inicialmente utilizado para fins medicinais por milhares de anos, mas há aproximadamente 2 mil anos, começou a ser consumido diariamente pelos chineses.

Além disso, foram os portugueses, no século XVI, que introduziram na Europa a bebida conhecida como “Chá”, trazida da Índia Oriental. Na década de 1660, a duquesa Catarina de Portugal se tornou rainha da Inglaterra e levou consigo o hábito de tomar chá.  Dessa forma, a bebida foi ganhando cada vez mais espaço.


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O primeiro estudo da planta no continente europeu data de 1678, primeiramente identificada como Thea sinensis. Naquela época, acreditava-se que os diferentes tipos de chá (verde, preto e branco) eram originários de plantas diferentes, T. viridis e T. bobea.

No entanto, o botânico inglês Robert Sweet em 1818, mostrou que, tanto o chá preto, como verde e branco eram resultado de diferentes processamentos de uma mesma planta, que foi então reclassificada como Camellia sinensis (L.).

As mudas ou sementes de C. sinensis chegaram às Américas pelas mãos dos holandeses (norte) e portugueses (sul).

Apesar de ser uma bebida tão antiga, o seu consumo continua crescendo e ainda hoje segue sendo a bebida mais frequentemente escolhida em todo o mundo depois da água. Segue presente em muitas culturas, da Índia à Inglaterra, China ao Brasil – cada povo com sua própria tradição.

Toda essa popularidade, fez com que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agriculture Organization) reconhecesse, em 2019, o dia 21 de maio como o Dia Internacional do Chá.

A planta de chá

O chá é uma planta com características de arbusto, mas que pode chegar a 15 metros de altura e viver mais de 100 anos. No entanto, para o seu cultivo os produtores realizam podas consecutivas para manter sua altura entre 60 e 90 centímetros, facilitando a colheita das folhas e induzindo a formação de novos brotos de folhagem, ideais para o processamento da bebida.

planta do chá
Camellia sinensis ou chá-da-Índia

Nesse sentido, o chá é produzido a partir de folhas macias e jovens que podem ser removidas da planta de forma manual ou por máquinas específicas. A forma com que as folhas são colhidas também afeta a qualidade do chá preparado, inclusive em suas propriedades químicas. Esse material pode ser então processado de diferentes formas a depender do tipo de chá a ser produzido – preto, verde, branco entre outros.

É uma planta bastante sensível que se desenvolve melhor em clima quente e úmido de regiões tropicais e subtropicais. Essas condições ideais de cultivo estão sob alto risco devido a intensificação do aquecimento global. O que pode afetar no rendimento, qualidade e preços do chá.

Além disso, o processo de fabricação do chá preto envolve, entre outros processos, a fermentação e secagem de folhas, enquanto o chá verde passa por um tipo de torrefação e secagem. Já o chá branco é o mais delicado e menos processado, produzido a partir de folhas jovens e botões florais gentilmente colhidos e que irão passar por um processo lento de secagem.

fabricação do chá

Produção de chá

As previsões são de que o consumo global de chá deve continuar crescendo, em 2018 foram consumidos 5,80 milhões de toneladas. Dados que fazem da C. sinensis uma planta valiosa tanto para os países produtores quanto para os importadores.

produção de cháO chá desempenha um papel vital no desenvolvimento rural, redução da pobreza e segurança alimentar nos principais países produtores que, com exceção da China (maior produtor), são países subdesenvolvidos. Nesses países, o chá representa a principal fonte de subsistência para milhões de pequenos produtores da Índia, Quênia, Sri Lanka, Turquia, Vietnã e indonésia.

A expectativa é que a produção de chá preto e verde sejam alavancados pela China, Quênia e Sri Lanka, representando um aumento anual de 2% e 7% respectivamente. Alcançando uma produção de 8 milhões de toneladas em 2027.

O Brasil não é um grande produtor de chá, se somada a produção dos últimos dez anos teríamos uma média de 2 mil toneladas produzidas por ano. A maior produção no país, ocorreu na década de 1980, com cerca de 10 mil toneladas produzidas por ano.

Produzido em Registro no estado de São Paulo, a cidade ficou conhecida como “capital do chá”, resultado de uma colonização japonesa interessada em investir no cultivo de C. sinensis. Atualmente, a cidade conta com uma interessante atração turística, a rota do chá. Iniciado em 2016, o roteiro apresenta aos visitantes o cultivo do chá. Em novembro de 2019 foi realizada a quarta edição.

Os benefícios do chá e infusões

O saber popular rotula tanto os chás como as novas infusões, com propriedades milagrosas que por vezes não são comprovadas por evidências científicas. As substâncias presentes em matérias primas utilizadas na produção de chás e infusões, podem produzir efeitos benéficos, mas também podem ter efeitos prejudiciais à saúde. Chás e infusões não substituem medicamentos. Se indicados, podem ser utilizados como complemento do tratamento.

Entre os principais constituintes químicos dos chás está a cafeína que contribui com a coloração, aroma e sabor. Outros componentes químicos de grande importância, são os taninos, polifenóis que contribuem com a adstringência do chá e seu sabor amargo. Embora seja incolor, quando submetido à ação da enzima polifenol oxidase, os taninos adquirem uma cor avermelhada e favorecem a obtenção de aromas no chá.


Os polifenóis são um grupo do qual fazem parte mais de 8.000 compostos identificados em plantas – flores, frutas, legumes, cereais, grãos, sementes e bebidas. São responsáveis pela cor dos alimentos (pigmentos amarelo, laranja, vermelho e azul), bem como pelo sabor.

Aos polifenóis são relacionados o potencial de redução do risco das doenças crônicas não transmissíveis em razão de seus efeitos múltiplos, como os anti-inflamatórios, antioxidantes, vasodilatadores, quimiopreventivos e neuro protetores.


A concentração de compostos fenólicos no chá da Camellia sinensis difere em relação às folhas frescas, semi-fermentadas ou fermentadas. No chá verde (Camellia sinensis), as catequinas, pertencentes à classe dos flavonoides, representam o composto fenólico predominante. Enquanto no chá branco, temos uma maior concentração de ácidos fenólicos (ácido gálico).

A cafeína, pertencente à classe das metilxantinas, é considerada como substância psicoativa com maior consumo no mundo. De acordo com a EFSA (2015), a quantidade exata de cafeína necessária para produzir efeito adverso (ansiedade, taquicardia, insônia, entre outros) depende do peso corporal e da sensibilidade à substância, sendo, portanto, variável entre as pessoas.

Inovação do chá e suas novas propriedades

chá de canelaModernizado, o chá ganhou a companhia de frutas e flores, substituiu a xícara por roupagem mais prática e versátil e, passou a figurar entre as bebidas utilizadas para refrescar nos dias quentes ou aquecer nos dias frios. Essas novas misturas de plantas transformaram o chá na infusão como conhecemos hoje, no qual acrescenta-se água fervente às folhas secas e moídas.

As propriedades terapêuticas atribuídas às infusões guardam relação direta com os componentes químicos (compostos fenólicos, alcaloides, óleos voláteis, entre outros) presentes na matéria, como folhas e flores, de diferentes plantas, e que são transferidos em quantidades variadas para o líquido.

A quantidade de compostos bioativos presentes na matéria prima não reflete necessariamente a quantidade absorvida no intestino e metabolizada pelo organismo. O método de preparo (infusões à quente ou frio) também pode influenciar na concentração dos compostos bioativos em função da termosensibilidade dos compostos fenólicos, por exemplo.


Existe uma linha muito tênue entre um chá encontrado em mercados e chás que só podem ser vendidos em farmácias e drogarias. O segundo caso é referente ao chá medicinal.

O chá medicinal é regulamentado pela Agência nacional de vigilância sanitária (Anvisa), apresenta indicações terapêuticas, sendo considerada uma droga vegetal com fins medicinais a ser preparada por meio de infusão, decocção ou maceração em água pelo consumidor.


A erva mate (Ilex paraguariensis), presente no chimarrão, tererê (erva mate verde seca) e chá mate (erva mate torrada), também apresenta em sua composição cafeína em concentração dependente da preparação. O chimarrão contém maior quantidade de cafeína do que o chá mate.

Entre os compostos fenólicos de maior destaque na erva mate (Ilex paraguariensis), camomila (Matricaria chamomilla) e cidreira (Cidreira (Cymbopogon citratus Stapf) estão os ácidos fenólicos (ácidos clorogênicos), em concentrações variadas.

Vale lembrar que, os chás e infusões não contém calorias. Ao adicionar açúcares, mel, adoçantes, melaço ou outros ingredientes são incorporadas à bebida as calorias de cada um desses ingredientes.

E aí, ficou com vontade de conhecer o verdadeiro sabor do chá? E qual a sua infusão preferida? Conta para gente, tire uma foto enquanto prepara sua bebida e nos marque no Instagram @saberhortifruti. Além disso, se ficou com alguma dúvida é só nos perguntar.

 

 

 

Principais fontes

Anvisa. Fitoterápicos. Disponível em: Anvisa esclarece. Acesso em: 23/07/2020.

Compendium of Guidelines for Tea (Camellia sinensis). Disponível em: https://www.thie-online.eu/fileadmin/inhalte/Publications/Tea/2018-08-20_Compendium_of_Guidelines_for_Tea_ISSUE_5.pdf. Acesso em: 24/07/2020.

Diário do Chá. Descubra os encantos de Registro, a capital do chá. Disponível em: http://blog.diariodocha.com.br/viagens/registro-a-capital-do-cha/. Acesso em: 24/07/2020.

El-Aty, A. A., et al. Residues and contaminants in tea and tea infusions: a review. Food Additives & Contaminants, 2014.

EFSA- European Food Safety Authority. Panel on Dietetic Products, Nutrition ans Allergies. Scientific opinion on the safety os caffeine. Europen Food Safety Authority, 2015.

FAO. World tea production and trade Current and future development. Rome, 2015.

Hassiomot, N. M. A., Lajolo, F. M. Polifenóis In: Moninetti,C et all. Genômica Nutricional dos fundamentos à Nutrição Molecular. Manole, 2017.

 

 

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