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Erva-mate muito além do chimarrão

04/07/2018

Erva-Mate

É impossível não entrar em contato com o chimarrão ao fazer uma viagem pela região Sul do Brasil. A base dessa bebida típica é a erva-mate e, no País, os gaúchos são os maiores apreciadores. O chimarrão é algo tão presente entre os moradores do Rio Grande do Sul que eles criaram, inclusive, os 10 mandamentos para o consumo da bebida. Mas o chimarrão não é a única iguaria que se pode fazer com a erva-mate. Venha conosco que a gente mostra.

 

Origem da erva-mate

Também conhecida como cogonha, a erva-mate é uma árvore que apresenta características típicas de plantas do bioma da Mata de Araucária. Ela, por exemplo, se desenvolve melhor em altitudes superiores a 400 metros e prefere áreas com pouco sol. Possui caule fino e de cor cinza, folhas ovais e frutos pequenos de coloração verde ou vermelho-arroxeado. Originária da região subtropical da América do Sul, pode ser consumida ainda como chá quente, tererê (como o chá gelado é conhecido no Mato Grosso do Sul e no Paraguai) ou compor uma surpreendente farofa.

Seu consumo é antigo e anterior à colonização do Brasil. Por ser uma planta natural da região Sul, os povos indígenas que ali habitavam (guaranis e tupis) já faziam uso da erva. Com a chegada dos jesuítas, a plantação foi domesticada e a tradição de triturar as folhas colhidas e acrescentar água quente foi criada.

O nome científico da planta é Ilex paraguariensis e foi dado pelo botânico francês Auguste de Saint-Hilaire, após seu primeiro contato com a planta no Paraguai. Contudo, depois de perceber que a erva crescia em maior quantidade e qualidade na região do Paraná, o botânico se retratou e disse que deveria tê-la nomeado Ilex brasiliensis.

 

A história da erva-mate

Apesar de terem sido os jesuítas os responsáveis pela popularização do consumo da erva-mate, nem sempre a relação entre os religiosos e a planta foi boa. No século XVII, os padres proibiram o uso da erva por acreditarem que ela era alucinógena. Os mais radicais chegaram a apelidá-la de erva do diabo.

Com o passar dos tempos, os missionários perceberam que os índios, sem o mate, aumentavam o consumo de bebidas alcoólicas, com consequente piora do desempenho no trabalho. Logo, os padres não só liberaram o uso da erva-mate, como também passaram a consumi-la.

No século XIX, o Paraguai optou por proibir a exportação de erva-mate, isolando-se de outras nações. Dessa forma, países como o Uruguai e a Argentina começaram a importar a erva-mate brasileira. Isso ocasionou o desenvolvimento do cultivo em Santa Catarina e no Paraná, regiões antes com pouca tradição nessa cultura.

O Ciclo da Erva-Mate, como ficou conhecido esse período, fez o Paraná, antes a “Quinta Comarca da Província de São Paulo”, emancipar-se e tornar-se a Província do Paraná, em 1853.

 

Produtos da erva-mate: diferença entre chimarrão e tererê

Você viu que a erva-mate é a matéria prima de diversas bebidas. Duas dessas, o chimarrão e o tererê, às vezes são confundidas. Portanto, aqui estão algumas dicas para você não errar e chamar uma pelo nome da outra.

As bebidas são muito parecidas e a diferença entre elas está na forma de consumo. Enquanto o chimarrão é uma bebida quente, o tererê é consumido gelado. Além disso, no tererê é possível ainda acrescentar limão, hortelã, capim-limão e até algum suco de sua preferência.

Apesar de a erva-mate das bebidas ser a mesma, ela tem forma diferente. A erva do chimarrão é mais fina – dado que é moída. Já a do tererê é mais grossa – uma vez que é triturada.

Outro produto da erva-mate que conquistou o paladar dos brasileiros é o chá-mate. Muito comum no Rio de Janeiro, o chá também tem a erva-mate como ingrediente. A diferença aqui é que, ao contrário do chimarrão e do tererê, as folhas da planta são tostadas até ficarem bem escuras, quase negras. Biscoito “O Globo” (biscoito de polvilho) combinado com chá-mate é uma das grandes tradições das praias cariocas.

 

Tipos de erva-mate para chimarrão

Existem diversas formas de processamento da erva-mate. Essas diferenças podem alterar o sabor das bebidas feitas com ela sem nunca, entretanto, perder o amargor. Conheça quatro dos tipos mais comuns.

  • Nativa – Feita com a planta colhida em seu habitat natural, sem influência de técnicas de produção. A maior parte desse tipo de erva é originária do Paraná. O resultado é uma erva suave, não tão amarga. É muito utilizada para fazer chimarrão.
  • Tradicional – Feita a partir da planta cultivada especificamente para a produção. A região que mais concentra esse tipo é a de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. Utilizada tanto para chimarrão quanto para o tererê, é feita com uma mistura com 70% de folhas e 30% de caule. Possui um sabor amargo intermediário.
  • Moída grossa – Essa denominação refere-se ao tipo de moagem a que a erva é submetida após a desidratação e secagem. O processo faz com que pedaços das folhas fiquem menos processados, mantendo maior amargor.
  • Pura folha – O processamento é feito exclusivamente com as folhas da planta, deixando o sabor mais amargo entre os tipos já citados. É mais consumido na Argentina.

 

Propriedades nutricionais da erva-mate

Por ser consumida geralmente em infusões, é difícil apresentar a quantidade de cada componente nutricional da planta. Ainda assim, é possível saber que a erva-mate contém em sua composição alcalóides (cafeína, metilxantina, teofilina e teobromina), taninos (ácidos fólicos e cafeico) e sais minerais (cálcio, fósforo, ferro, magnésio, manganês e potássio).

E aí? É fã da erva-mate? Conte para a gente no Facebook e não deixe de acessar também nossas matérias sobre alimentos típicos de Amazonas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

 

Fonte: Hortifruti, 04 de julho de 2018

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