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Especialista rebate estudo do Greenpeace sobre agrotóxicos

09/11/2017

Divulgado pela organização não governamental (ONG) Greenpeace no dia 31 de outubro, relatório sobre o uso de defensivos agrícolas (popularmente chamados de agrotóxicos) na agricultura brasileira revela presença de resíduos desses produtos em 60% das amostras. Além disso, o mesmo documento afirma que 36% dos alimentos pesquisados tinham alguma irregularidade com o uso desses produtos.

Embora tenham sido apresentados como alarmantes, uma análise mais criteriosa desses dados revela que a história não é bem assim. Essa análise foi feita pelo jornalista e pesquisador Nicholas Vital, autor do livro Agradeça aos Agrotóxicos por Estar Vivo. “Resíduos em alimentos não significam problemas, isso é um grande sensacionalismo. Desde que estejam dentro dos limites adequados, a presença é perfeitamente aceitável”, afirma.

Segundo o Greenpeace, “entre as irregularidades está a presença de agrotóxicos não permitidos na produção de um alimento específico”. Vital explica que esse tipo de achado é uma questão que, embora esteja em desacordo com a legislação, não é um problema de saúde pública. “Em alguns lugares do mundo, os defensivos agrícolas são registrados por pragas. Isso quer dizer que se eu precisar combater uma praga, se o inseticida para controlá-la estiver autorizado, eu posso usar o produto em várias culturas.” O jornalista explica que no Brasil, porém, não funciona dessa maneira. “No País é exigido registrar um defensivo por cultura. Aqui, se você tem uma praga que ataca quatro culturas, precisa fazer quatro registros. Como o processo é burocrático e tem alto custo, as indústrias não registram para culturas menores, como o pimentão, que não justificam esse investimento”.

O caso do Pimentão

Para Vital, o pimentão é um bom exemplo para ‘desmistificar’ o risco: “Ele é hoje símbolo de alimento intoxicado, mas uma das substâncias químicas mais detectadas no pimentão é um inseticida cujo índice de ingestão aceitável é 0,01 mg/kg de peso corporal. No caso de um homem de 85 quilos, seria necessário ingerir pouco mais de 21 quilos todos os dias, por toda a vida, para sofrer uma intoxicação”.

Caso fosse possível tamanha ingestão diária, inclusive, a pessoa provavelmente morreria antes por conta da presença do magnésio, algo natural no pimentão. “Em 20 quilos de pimentão, são nada menos do que 2.200 miligramas de magnésio, ou dez vezes mais do que a dose letal estimada para esse ingrediente”, resume Vital.

Estudo estimula polêmica

Outra polêmica presente no estudo é sobre a média ingerida de agroquímicos pelos brasileiros, que o Greenpeace alega ser de 6 kg por ano. Vital argumenta que essa é uma soma da média do uso total de defensivos dividido por habitante: “É o mesmo que falar que cada brasileiro fuma 400 cigarros por ano. O Greenpeace ‘esquece’ que 80% dos agroquímicos são utilizados em quatro culturas: soja, milho, algodão e cana, sem contar o alto número em pastagem, florestas e flores. Uma boa parte disso não vai para o prato, o que descredencia esse número”.

Fonte: Gazeta do Povo, 31 de outubro de 2017

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