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Jorge Souza
Agrônomo, especialista em gestão estratégica de negócios. É produtor rural e diretor técnico da Abrafrutas.

Aprecie sem moderação

Artigo publicado em 16/10/2017

Em 2016, a cada R$ 4,00 de riquezas produzidos pelo Brasil, o agronegócio respondeu por aproximadamente R$ 1,00, ou seja, 25%. Se olharmos apenas para a fatia da pizza representada pelo agronegócio, a agricultura foi responsável por praticamente 70%, enquanto a pecuária pelos outros 30%. Esses números, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP), mostram a força de um setor que tem se reinventado constantemente para continuar competitivo.

Entretanto, a que, exatamente, estamos nos referindo quando falamos de agricultura brasileira? É comum pensarmos que esse setor é composto principalmente pela produção de commodities. Pudera, na cultura da soja, por exemplo, o Brasil disputa com os Estados Unidos o título de maior produtor. No milho, o País também está entre os maiores do mundo. Apesar desses indicadores impressionantes, nem só de grãos vive a nossa agricultura. Com suas dimensões continentais, o Brasil conta com variados tipos de solos e climas que permitem o cultivo de praticamente todo tipo de fruta. Temos, por exemplo, pêssegos produzidos no extremo sul, maçãs em Santa Catarina, mamões no Espírito Santo, mangas e uvas no Vale do São Francisco, melões, melancias e abacaxis no Nordeste e açaí no Pará.  Um colorido panorama que se fortalece ano a ano, onde o Brasil ocupa o lugar de terceiro maior produtor de frutas do mundo, atrás apenas da China e da Índia, com um volume anual de cerca de 42 milhões de toneladas de frutas.

Não apenas a população nacional se beneficia desse raro e favorável ambiente para a produção de frutas. O crescimento nas exportações ao longo dos últimos anos confirma que a vocação brasileira para a fruticultura é estratégica também para o abastecimento das necessidades das demais nações. Diante de uma realidade global de aumento populacional e de limitações de cultivos agrícolas, o fornecimento dependerá cada vez mais desse potencial que o Brasil dispõe. E tudo isso respeitando as diretrizes globais de sustentabilidade. Pelo que se pode testemunhar nos polos regionais espalhados por todo o País, a tendência não é a expansão das áreas de cultivo e sim, aumento de produtividade, por meio do uso de ciência no campo.

E se comer frutas faz bem, produzir frutas também é muito saudável para a sociedade. A fruticultura é um setor responsável pela geração de aproximadamente 5,12 milhões de empregos, 16% de todos os postos de trabalho gerados pelo agronegócio.

Diante desse cenário, o brasileiro pode se orgulhar de produzir frutas seguras e saudáveis para todo o mundo e ficar à vontade para consumi-las por aqui.  Ao contrário do que é recomendado para quase todos demais alimentos, para as frutas, quando mais melhor.

Reginaldo Minaré
Coordenador da área de tecnologia da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

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Paulo Camargo
Biólogo, mestre e doutor em biologia molecular. É redator e divulgador de conteúdo científico.
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