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Reginaldo Minaré
Coordenador da área de tecnologia da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Exageros e omissões sobre agrotóxicos

A produção agrícola ocupa posição de destaque na comunidade brasileira, garante os alimentos necessários à população doméstica, contribui com significativa parcela das exportações do País e com a oferta nacional de empregos. A utilização dos produtos fitossanitários ou, como popularmente conhecidos, agrotóxicos, nas práticas agrícolas constitui ferramenta importante para proteger as lavouras das pragas e das plantas daninhas, proteção que é fundamental para garantir e melhorar a produção no campo.

O uso de agrotóxicos não é uma particularidade da agricultura brasileira. Os produtores dos Estados Unidos, do Japão, da Alemanha, da França, da Espanha, da Austrália, do mundo todo lançam mão dos defensivos agrícolas para assegurar a viabilidade e a qualidade e de seus produtos. No Brasil, o uso dos defensivos é uma atividade rigorosamente regulamentada. Não se trata, portanto, de uma prática proibida. A aplicação desses produtos deve seguir a recomendação aprovada pelo órgão oficial, que está indicada na bula, e as prescrições feitas por profissional habilitado. Podemos entender os agrotóxicos como “remédios para as plantas”: se usados adequadamente garantem que a lavoura se desenvolva saudável e sem doenças.

Além disso, o agricultor, para sobreviver no mercado em um mercado altamente competitivo, precisa controlar seus custos de forma rigorosa. Como os produtos fitossanitários representam uma variável relevante na planilha de custos, não são utilizados de forma descontrolada. Recorre-se a eles quando necessário. Mais uma vez, a comparação com os medicamentos humanos se mostra apropriada.

Cabe observar que o Poder Público Federal não elege um sistema agrícola oficial. No Brasil, convivem de forma harmônica a prática da produção de alimentos convencional e orgânica. A agricultura pode ser praticada utilizando insumos químicos, genéticos ou biológicos.

Qualquer proposta destinada a eleger um modelo de produção agrícola em detrimento dos demais deve ser objeto de debate prévio, exaustivo, responsável e transparente. Dessa hipotética discussão, além da participação do Poder Público e da sociedade civil, é essencial a ampla e intensa participação da comunidade científica, para fazer avaliações agronômicas, sociais, econômicas e ambientais.

Qualquer atuação isolada feita por órgão de Governo ou mesmo por algum segmento da sociedade, no sentido de dificultar ou depreciar as práticas necessárias a um determinado modelo de produção, com o objetivo de promover, de forma velada, a adoção de outro que considera mais adequado, deve ser vista com muita desconfiança. Tais comportamentos, quando desprovidos do prévio e necessário debate e do adequado suporte científico, flertam com a irresponsabilidade.

Não é exagero nem demagogia afirmar que a atual agricultura brasileira, apesar de tão eficiente, desperta pouco interesse na sociedade brasileira no sentido de compreender seus fundamentos e valorizá-la como instrumento estratégico para a população e para o Estado.

Quando vai comprar alimentos, o brasileiro encontra em todos os supermercados, feiras e açougues, alimento abundante, de boa qualidade e com bom preço. Seguramente, o uso de agrotóxicos contribui para esse cenário e não coloca a saúde do consumidor em risco. Dessa maneira, toda abordagem a respeito desses produtores precisa levar em consideração mais os argumentos científicos e menos crenças e especulações. Alegações contrárias a esses princípios, predominante na mídia digital e online, tem bastante apelo sensacionalista, mas carecem de embasamento técnico.

Jorge Souza
Agrônomo, especialista em gestão estratégica de negócios. É produtor rural e diretor técnico da Abrafrutas.
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