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Jorge Souza
Agrônomo, especialista em gestão estratégica de negócios. É produtor rural e diretor técnico da Abrafrutas.

Nossas frutas podem ir mais longe

Artigo publicado em 19/10/2020

Nossas frutas podem ir mais longe

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, ficando atrás apenas de China e Índia. A produção nacional gira em torno de 44 milhões de toneladas, a maior parte destinada ao consumo interno. Somente 980 mil toneladas, pouco mais de 20%, são exportados. Em resumo: a fruticultura brasileira ainda tem muito espaço a conquistar no mercado internacional, que na última década, cresceu mais de 5% ao ano.

Produtores e exportadores já trabalham ativamente para melhorar a participação brasileira no mercado global. Entre 2015 e 2019, as exportações nacionais também cresceram cerca de 5% ao ano. Mangas, melões e uvas lideram as vendas, mas outras frutas, como limão e abacate, estão conquistando o paladar dos consumidores do planeta.

A União Europeia é o principal destino das nossas frutas, sendo o Reino Unido o maior comprador. Mas também vendemos para Estados Unidos, Oriente Médio, Ásia e América do Sul, com faturamento estimado de quase 860 milhões de dólares em 2019. Porém, para abrir novas frentes, os produtores brasileiros ainda precisam aprimorar processos e estratégias.

Os desafios da fruticultura

O ano de 2020 vem sendo desafiador para todos os segmentos da economia mundial. As incertezas geradas pela pandemia, como a perda de empregos e dificuldades logísticas por exemplo, impactaram também o setor da fruticultura.

Paralelamente, os consumidores, que já valorizavam muito o conceito de alimento seguro – livre de contaminações químicas e biológicas – se mostram ainda mais preocupados diante do cenário de pandemia. Este comportamento, no entanto, pode se transformar numa grande oportunidade para consolidação da imagem do produto brasileiro.

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O setor sempre trabalhou para oferecer segurança a quem compra nossas frutas.  Anualmente, são realizadas milhares de análises para a detecção de resíduos químicos nas frutas exportadas e, assim, assegurar o comprometimento do setor produtivo com os padrões internacionais de qualidade.

Produção sustentável

Outra tendência marcante no comportamento do consumidor, principalmente na Europa, é a preocupação com a sustentabilidade em todos os processos da cadeia produtiva. Temas como respeito ao meio ambiente, atuação positiva na questão das mudanças climáticas, combate ao desmatamento ilegal e responsabilidade social estão na pauta dos compradores.

Para conquistar e fidelizar clientes, é preciso realmente praticar estes conceitos e, ainda, fazer com que o mundo todo saiba disso.  Não basta a fruticultura brasileira de exportação não derrubar árvores na Amazônia, empregar modernas técnicas de irrigação com responsabilidade no uso da água, não utilizar mão de obra escrava ou infantil em seus pomares, respeitar a legislação ambiental e trabalhista do país.

Os produtores precisam comunicar de forma clara aos seus consumidores que trabalham corretamente. 

A consolidação da imagem do Brasil como potência, não apenas em produção, mas também em sustentabilidade, talvez seja o grande desafio deste momento. Porque produzir, em quantidade e com qualidade, o agricultor brasileiro sabe muito bem.

Clima e tecnologia favorecem a produção e a conquista de novos mercados

O clima tropical úmido prevalece no Brasil.  Mas o país também abriga regiões com clima temperado, seco e com grande diversidade de tipos de solo.

Com o uso de tecnologia, conseguimos produzir uma imensa variedade de frutas, praticamente o ano todo. O que permite suprir continuamente as demandas de mercado e nos coloca em posição de vantagem frente aos concorrentes.

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A fruticultura brasileira de exportação deve muito à pesquisa nacional. São inúmeras as contribuições da ciência no desenvolvimento de novas variedades, no aperfeiçoamento dos processos produtivos, na evolução das técnicas de pós colheita e na oferta de ferramentas para agricultura de precisão.

Vale ressaltar a continuidade e a relevância da genética e do melhoramento no desenvolvimento de novas cultivares. Ter novos produtos é fundamental para a competitividade.

Entre os casos de sucesso, estão as uvas de mesa desenvolvidas pela Embrapa e empresas privadas que têm excelente aceitação no mercado internacional. Mas ainda há barreiras a vencer.

O desafio da logística

Na conquista de novos mercados, como os asiáticos por exemplo, as técnicas de pós colheita e conservação das frutas precisam ser aprimoradas. Os protocolos de logística marítima têm que ser refinados, pois o trânsito até esses mercados pode levar mais de um mês! Por isso, é necessário inovar, também, no processamento e embalagem de frutas.

Sem dúvida, agricultores e pesquisadores ainda têm muito trabalho pela frente. Certamente, o estabelecimento de parcerias, o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias e o investimento em gestão serão fundamentais para um crescimento ainda maior da fruticultura brasileira.

Tatiane da Cunha
Bióloga, mestre em Microbiologia Agropecuária (FCAV-UNESP) e doutora em Microbiologia Agrícola (ESALQ), microbiologista responsável pela Fábrica Biológica do Grupo Terra Viva.
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