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Não deixe o maracujá na feira, leve essa saborosa fruta para casa

11/09/2020

maracujá

O maracujá é nativo do Brasil. Nesse sentido, seu nome é de origem tupi-guarani e significa “alimento que se toma de sorvo” ou “alimento em forma de cuia”. Bastante saboroso e diferenciado, esse fruto já vem pronto para consumo.

Dessa maneira, a cultura do maracujá vai muito além do perfume e sabor. É um fruto de grande importância social e econômica para Brasil, que é o maior produtor e consumidor. Isso porque o maracujazeiro pode gerar renda mensal durante o ano todo aos fruticultores. Ou seja, é uma ótima opção principalmente aos pequenos produtores de frutas.

Todavia, apesar da fruta ter uso como planta medicinal há muitos anos, fazendo parte inclusive da cultura de povos indígenas, pouco se sabe sobre os princípios ativos e efeitos benéficos para a saúde. No entanto, uma coisa é certa, o fator calmante não está presente na polpa do fruto e sim em suas folhas. Em outras palavras: suco de maracujá não causa sonolência.

Ficou chocado? Segue com a gente e descubra muitas outras informações sobre essa fruta brasileira.

Maracujá e seus principais benefícios: abundância em vitaminas

Podemos dizer com segurança que o maracujá é um fruto de baixa densidade energética. Ademais, ele contém em sua composição fibra alimentar, minerais e vitaminas, com destaque para os carotenoides e ácido ascórbico (vitamina C).

Conheça outros alimentos ricos em vitaminas, como o maracujá, acessando nosso texto sobre tipos de vitamina.

Além disso, entre os compostos bioativos presentes neste alimento, estão os polifenóis (flavonoides) com atividade antioxidante. Assim como as demais frutas, o maracujá é um alimento benéfico para a saúde e, quando associado a um padrão alimentar saudável, é uma excelente escolha.

Sendo assim, a farinha produzida a partir da casca de maracujá apresenta alto teor de fibra alimentar e pode ser utilizada no enriquecimento de produtos com pães, biscoitos, barras de cereais, entre outros. Inclusive, é considerada auxiliar no tratamento do diabetes e doenças do coração em função do predomínio de fibra solúvel, auxiliando no controle da glicemia e lipemia pós prandial. Nesse sentido, tal glicemia ocorre após consumo de alimentos fontes de carboidratos e gorduras, respectivamente.

Das sementes, é possível extrair óleo de alta qualidade com uso potencial tanto para indústria alimentícia quanto cosmética. Ademais, estão presentes nas sementes da fruta elevado teor de ácidos graxos insaturados, com predomínio (>55%) do linoleico (ꙍ-6) e em menor percentual, o ácido graxo oleico (ꙍ-9) e linolênico (ꙍ-3). Entre os fitoesteóris, destacam-se campesterol, estigmasterol, β-sitosterol.

Leia nosso texto “Melancia: de sabor doce e suave, se destaca por ser tão refrescante”: Assim como o maracujá, as sementes da melancia também podem ser aproveitadas.

Principais informações nutricionais do maracujá

Maracujá em variedade de cores, tamanhos e sabores

O nome maracujá é dado ao fruto e à planta de várias espécies do gênero Passiflora, referindo-se aos frutos, que quando abertos, apresentam a casca no formato de cuia, com sementes na polpa.

Nesse sentido, existem mais de 150 espécies nativas do Brasil, sendo que pelo menos 50 são cultivadas em menor escala ou apresentam potencial comercial, caso do maracujá roxo, maracujá doce, maracujá do mato ou do cerrado, entre muitos outros. Dessa maneira, cada espécie apresenta frutos e folhas com formato e cores próprias e polpa com diferentes concentrações de nutrientes. Assim, o maracujá pode apresentar diferentes utilidades, como, por exemplo seu uso como planta ornamental.

maracujá ornamental
Maracujá ornamental | Crédito: Fabio Gelape

Além disso. as primeiras menções ao maracujá foram feitas no século 16, em que os portugueses o descrevem como uma planta exótica com múltiplas potencialidades alimentares, ornamentais e medicinais.

Portanto, esse valor ornamental se dá por conta de suas belíssimas flores de cores vibrantes e originalidade em suas formas. Não por acaso, o maracujá também é conhecido como flor-da-paixão, denominado por Frei Vicente. Dessa forma, ele enxergava na flor dessa planta a representação da santíssima Trindade e a paixão de Cristo. Inclusive, a origem ao seu nome científico: passio (Paixão) e floris (flor).

O fato de o maracujá estar relacionado a propriedades calmantes está justamente relacionado a um composto (glicosídeo) comum em plantas desse gênero, conhecida como passiflorina. No entanto, esse e outros compostos com finalidade calmante encontram-se apenas nas folhas da planta.

Cultivo da fruta

produtores de maracujá no BrasilO Brasil é o maior produtor e consumidor de maracujá no mundo. Dessa forma, o cultivo do maracujazeiro em escala comercial, no País, teve início no começo da década de 1970, com o maracujá-azedo. Todavia, nos últimos 20 anos, a produção do fruto dobrou.

Hoje ela ocupa uma área de aproximadamente 45 mil hectares e uma produção que ultrapassa 600 mil toneladas. Sendo assim, os maiores estados produtores são: Bahia, Ceará, Santa Catarina, São Paulo e Minas gerais.

Além disso, a valorização do maracujá tem motivado pequenos produtores do sul do Mato Grosso, onde o quilo da fruta tem chegado a R$ 5 no mercado. No entanto, para que a produção seja rentável é necessário muito planejamento e conhecimento para o manejo correto da cultura, saiba mais sobre os desafios na produção de maracujá no site da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS).

Passiflora edulis
Passiflora edulis | Crédito: Sergio Agostinho

Espécies de maracujá no Brasil

Apesar da grande diversidade de espécies, no Brasil, mais de 90% dos pomares de maracujá são da espécie Passiflora edulis (maracujazeiro-azedo de casca amarela ou roxa), usualmente no consumo dos brasileiros como suco fresco ou industrializado. Já o maracujá doce (P. alata), por sua vez, tem sua produção e comercialização limitada pela falta de hábito de consumo, sendo pouco conhecido pela população. Nesse sentido, o fruto é consumido exclusivamente como fruta fresca, em função da baixa acidez.

Passiflora alata
Passiflora alata

Além dessas, uma terceira espécie vem ganhando espaço, principalmente, entre os produtores do Centro Oeste, o maracujá do cerrado (P. setacea). Essa planta é resistente à seca e a muitas doenças que acometem as principais espécies de maracujá. Dessa forma, produz flores brancas e frutos de casca verde escura que vão clareando quando maduro, chegando a um tom verde claro. Chegam a pesar 50 gramas e apresentam polpa suculenta.

Passiflora setacea
Passiflora setacea | Crédito: Fabiano Bastos

O maracujá do cerrado é doce, e seu consumo é in natura e em produção de doces. Além disso, pode aparecer como planta ornamental e também em programas de melhoramento genético para desenvolvimento de novas cultivares.

Saiba aproveitar o maracujá

Em preparos salgados ou doces, o maracujá dá um toque suculento e ácido na medida certa. Nesse sentido, na culinária é base para a produção de geleia, mel, caldas, molhos e licor. Sobremesas com maracujá, como sorvete, mousse e pudim, ajudam a refrescar o verão e figuram entre as preferidas dos brasileiros.

No entanto, antes de comprar o fruto é importante planejar para qual será o seu uso, visto que, o maracujá é um fruto de vida útil reduzida. Por isso, em condições de temperatura ambiente costumam durar entre três e sete dias, resultando em  enrugamento da casca, perda de massa e sabor após o quarto dia.

Portanto, para evitar o deterioramento do fruto, o maracujá deve permanecer em temperatura entre 10 °C e 15 °C, Nesse caso o alimento pode ficar na geladeira até 2 semanas.

Receita com maracujá: ceviche

Agora que você está bem mais próximo desta fruta, que tal diversificar o seu uso na cozinha, fugir daquele famoso mousse de maracujá ou bolo de maracujá e preparar um ceviche?

Você vai precisar de:

350 g de filé de peixe branco fresco

120 g de polpa de maracujá

120 g de pepino japonês

60 g de suco de laranja

40 g de cebola rocha

30 g de cenoura

20 g de suco de limão

20 g de alho poró

6 g de sasinha in natura

8 g de coentro fresco

Sal

Pimenta do reino moída

Para preparar o prato, corte o peixe em cubos médios. Faça fatias finas de pepino, cebola, cenoura e alho poró. Pique a salsinha, desfolhe o coentro e retire as sementes da fruta e guarde em um recipiente separado.

Tempere o peixe em um bowl, com sal e pimenta do reino à gosto. Acrescente os outros ingredientes e misture gentilmente, leve a geladeira por pelo menos 15 minutos. Sirva gelado e você pode adicionar algumas sementes de maracujá para dar crocância.

Agora é só se deliciar com esse refrescante prato.

Outra fruta ácida e tão deliciosa quanto o maracujá é a acerola – saiba mais sobre ela com o nosso artigo!

Principais fontes

Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (EMBRAPA)

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sistema da Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Disponível em: Maracujá do cerrado, polpa, com semente, crua Cerrado passion fruit, pulp, with seeds, raw. Acesso em 04 de setembro de 2020

Sistema da Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Disponível em: Maracujá-doce, polpa, sem semente, crua Sweet passion fruit, pulp, seed removed, raw. Acesso em 04 de setembro de 2020.

Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA). Universidade de São Paulo (USP). Food Research Center (FoRC). Versão 7.1. São Paulo, 2020. [Acesso em: 04/09/2020]. Disponível em: http://www.fcf.usp.br/tbca/.

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