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O que é ora-pro-nóbis? Conheça a tradição da culinária mineira

06/06/2018

O que é Ora-Pro-Nobis?

Você sabe que é ora-pro-nóbis? Se você já foi ao festival gastronômico de Tiradentes, cidade colonial do interior de Minas Gerais, provavelmente conhece esta hortaliça. Entretanto, mesmo fazendo sucesso nas preparações típicas da região, o ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) é pouco conhecido fora de Minas. Às vezes lembrado como trepadeira-limão ou groselha-de-barbados, o vegetal é generoso e permite o uso culinário de várias de suas partes.

Em terras mineiras, as partes mais apreciadas são as folhas. É habitual comê-las refogadas ou cruas. Na maioria das vezes, elas acompanham ou compõem os pratos principais. Alguns preparos famosos são:

Além disso, a flor, que tem um sabor adocicado, também pode ser consumida. Uma sugestão é usá-la como ingredientes em saladas. O fruto, por sua vez, é ácido como a groselha.

O ora-pro-nóbis é uma erva originária do continente americano que nasce em forma de trepadeira e possui muitos espinhos. Versátil, além da alimentação, pode ser usada como cerca viva e como planta ornamental. Suas flores brancas, pequenas e perfumadas impressionam pela beleza. Ademais, são famosas pela raridade: ocorrem por apenas um dia no ano, entre janeiro e abril. A produção dos frutos, amarelos e redondos, ocorre de junho a julho.

 

Origem do nome ora-pro-nóbis

Ainda que seja comum em Minas Gerais, onde se popularizou como uma planta ligada às tradições rurais e religiosas do Estado, é pouco conhecido fora da região. O nome, inclusive, não ajuda. Muitas pessoas sequer entendem quando ouvem. Também pudera, ora-pro-nóbis é um termo em latim que significa rogai por nós, expressão frequente em missas católicas.

Não há comprovação, mas a cultura popular diz que o nome da hortaliça está ligado a essa religião. Na antiga Minas colonial, onde o catolicismo era um elemento cultural muito presente, reza a lenda que algumas igrejas tinham cercas feitas dessa planta. Os padres, porém, não deixavam a população colhê-la.

Entretanto, o jeitinho brasileiro resolveu esse problema. No momento em que os sacerdotes realizavam a missa, nessa época falada em latim e de costas para os fiéis, as pessoas aproveitam para pegar o Ora-pro-nóbis. Dessa maneira, quando o padre dizia ora-pro-nóbis, frase comum na cerimônia, todos entendiam a deixa para começar a colheita.

Outra história, também ligada à Minas Gerais e à Igreja Católica, traz uma versão diferente. Um padre, ao visitar um devoto, teria comido a erva e expressado seu contentamento com a expressão ora-pro-nóbis. Isso seria o equivalente a um “benzadeus” nos dias de hoje.

 

Propriedade nutricionais do ora-pro-nóbis

As características nutricionais do ora-pro-nobis são promissoras. Pesquisas indicam que o alimentos possui alto teor de proteína vegetal bruta, cuja digestibilidade e biodisponibilidade ainda não foram determinados.

Além disso, o “Manual de Hortaliças Não-Convencionais”, elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), classifica a hortaliça como fonte de Vitamina C, Manganês, Cálcio. Um trabalho de doutorado da Universidade Federa de Lavras confirmou os benefícios mencionados acima.

 

Como plantar ora-pro-nóbis 

O ora-pro-nobis é resistente e não exige muita adubação. Seu cultivo é fácil e ele pode ser feito em quintais e jardins. Para começar o cultivo, basta cortar estacas de 20 centímetros de uma planta saudável, enterrar um terço em terra fértil ou mergulhar em um recipiente com água. Se você optar pela segunda opção, em duas semanas as raízes aparecem e a muda poderá ser transplantada para o local definitivo. A primeira colheita ocorre três meses após o plantio.


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Como usar na cozinha 

A parte mais usada do ora-pro-nóbis é a folha. Elas podem ser consumidas cruas, em forma de saladas e refogadas com alho e cebola. O refogado de ora-pro-nóbis pode ser usado como recheio de sanduíches, tortas e acompanhamento de carnes, como frango, porco e peixes. Fica excelente também em sopas. Ou seja, um alimento muito versátil.

Em Minas Gerais o alimento é visto também misturando no angu, feijão, mexidos e omeletes. É possível também moer as folhas secas e utilizá-las para fazer massas, pães e farinha múltipla – complemento nutricional no combate à desnutrição.

 

Fonte: Hortifruti, 06 de junho de 2018

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