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Priprioca: o delicioso aroma do Pará

27/11/2018

Priprioca

Belém do Pará é conhecida como a porta de entrada da Amazônia brasileira. Quem visita a cidade se surpreende sobretudo com a profusão de cores, sobres e aromas nas ruas e mercados. No famoso Ver-o-peso – considerado a maior feira ao ar livre da América Latina – centenas de pessoas abastecem a cidade com produtos naturais típicos da região, como é caso da Priprioca.

A Priprioca é uma planta da família das Cyperaceae e tem como nome científico Cyperus articulatus L. Pode ser considerada uma espécie de capim alto com flores bem pequenas. Seus talos produzem uma raiz em forma de tubérculos que, quando cortados, exalam um perfume delicioso, fresco, amadeirado e picante. É tradicionalmente usado em banhos de cheiro e na fabricação de colônias artesanais na região. Seu sucesso é tão grande que o aroma da planta, combinado ao de outras plantas aromáticas, é conhecido como “o cheiro-do-pará”.


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A exploração de sementes e raízes naturais da Amazônia para a fabricação de águas de cheiro não é algo novo. Registros no “Livro da Visitação do Santo Ofício da Inquisição”, de 1763, já falavam da prática de se utilizar a Priprioca por benzendeiras e curandeiras. A novidade está no uso do conhecimento popular em larga escala.

Indústrias de biocosméticos como Natura, a Beraca e a Óleos Vegetais da Amazônia usam o óleo de Priprioca como matéria-prima para a fabricação de perfumes, cremes e shampoos. Com o uso por grandes empresas, a plantação da Prirpioca tornou-se muito importante também para o sustento da população. Principalmente dos moradores da Ilha de Cotijuba, distrito de Belém, e dos moradores do municípios paraenses de Santo Antônio do Tauá e Acará.

 

O uso na cultura popular

Além do uso em águas de cheiro e perfumes, a Priprioca também é utilizada no artesanato e como composto com efeito medicinal. De acordo com a cultura popular a planta apresenta sete “benefícios”:

  1. Atrai boas energias para a festa de São João;
  2. Atrai boas energias para a entrada do ano novo;
  3. Possui efeito analgésico;
  4. Possui efeito antibacteriano;
  5. Auxilia no alívio de dores;
  6. Possui efeito antitérmico.

 

Origem do nome Priprioca

O nome priprioca tem origem no Tupi-Guarani, como é possível ver no livro: “Aproveitamento de Biodiversidade Amazônica: o Caso da Priprioca”. De acordo com os autores, o nome tem origem em uma lenda do povo Aruaca.

Piripiri era um guerreiro bonito e forte que exalava um cheiro irresistível e misterioso. Todas as índias eram inegavelmente encantadas por Piripiri. Porém, sempre que uma delas tentava chegar perto, o guerreiro se esvaia em fumaça.

Seguindo o conselho do pajé da tribo, as índias amarraram Piripiri com os próprios cabelos. Foi inútil, pois na manhã seguinte o índio havia desaparecido de vez. No local onde foi amarrado surgiu uma planta que exalava o mesmo cheiro de Piripiri.

A planta recebeu o nome do índio por ter se tornado a sua morada, Piripiri-oca, priprioca, ou seja, “a casa de Piripiri”.


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A Priprioca na alimentação

Apesar do uso culinário não ser comum, a Priprioca já começa a ganhar espaço nos grandes restaurantes. O renomado chef Alex Atala, por exemplo, já escreveu um artigo acadêmico sobre o uso da raiz como elemento aromático de alguns pratos.

O uso recente da raiz como elemento aromático se deu, pois, a raiz nunca tinha sido incluída na alimentação, nem mesmo pelos indígenas da região Amazônica. Assim, para viabilizar a Priprioca como ingrediente na cozinha foi necessário desenvolver alguns estudos. Primeiramente, verificou-se que a planta não era tóxica. Depois, chegou-se a conclusão que não havia alcaloides em sua composição. Dessa maneira, ficou claro que o uso culinário era considerado seguro.

A priprioca é usada de maneira similar à baunilha, mas com outra nuance de sabor, com leves notas de terra e fumaça e notas aromáticas oscilando entre ervas e madeira. Em relação à sua composição nutricional ainda é necessário esperar por resultados de estudos que possam contribuir com esse perfil.

 

Fonte: Hortifruti, 27 de novembro de 2018

Referências:

  • ATALA, Alex. A new ingredient: The introduction of priprioca in gastronomy. International Journal of Gastronomy and Food Science, v. 1, n. 1, p. 61-63, 2012.
  • DERGAN, João Marcelo B. A flora das ilhas estuarinas amazônicas como aroma sustentável na globalização. XXIX Simpósio Nacional de História,  2017
  • Livro da Visitação do Santo Ofício da Inquisição ao Estado do Grão Pará (1763-1769), Texto Inédito e apresentação de José Roberto do Amaral Lapa, Petrópolis, Vozes, 1978, p. 171.
  • POTIGUARA, R. C. V.; ZOGHBI, M. G. B. (org.). Priprioca: um recurso aromático no Pará. Belém: MPEG/UEPA, 2008. P. 13-24.
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