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Quiabo: conheça esse alimento que veio da África e conquistou o Brasil

31/05/2019

Quiabo

Quiabo cru, cozido, refogado, assado ou frito. Não importa o modo de preparo, quiabo é um desses alimentos que permite uma infinidade de combinações. A versatilidade é um dos pontos altos do vegetal, mas está longe de ser a única.

Assim como o tomate, ele é comumente confundido com um legume, mas é, na verdade, o fruto do quiabeiro – uma planta de caule semilenhoso, folhas verdes grandes, flores amarelas e que pode atingir cerca de três metros de altura.

De acordo com Alan Davidson, autor do livro “The Penguin Companion to Food” considerada uma enciclopédia sobre comida, o quiabo tem origem africana e possivelmente começou a ser cultivado na região da Etiópia. Sua chegada às Américas tem íntima relação com o triste período do tráfico negreiro.

Ao traficar as pessoas capturadas na África, o vegetal também foi trazido para o “Novo Mundo”. Os primeiros registros do alimento em terras brasileiras datam de século XVII.

Atualmente, é cultivado em diversas regiões do País, principalmente no Sudeste. Entretanto, um dos maiores produtores do vegetal fica no sertão sergipano. Localizado no município de Canindé de São Francisco, no Alto Sertão Sergipano, o Perímetro Irrigatório Califórnia é referência no cultivo.

Quiabo baianeiro – meio baiano, meio mineiro

Ao falar de pratos típicos que têm no quiabo um de seus ingredientes, dois Estados brasileiros se destacam: Bahia e Minas Gerais. Se um bom baiano não abre mão de um caruru ou uma quiabada, os mineiros não se fazem de rogados quando o assunto é o refogado de carne com vegetal ou o famoso frango com quiabo.

Ao falar de pratos típicos que têm no quiabo um de seus ingredientes, dois estados brasileiros se destacam: Bahia e Minas Gerais. Se um bom baiano não abre mão de um caruru ou uma quiabada, os mineiros não se fazem de rogados quando o assunto é o refogado de carne com vegetal ou o famoso frango com quiabo.


Caruru é um prato que leva camarão seco e azeite de dendê. Já a quiabada é um refogado do vegetal com carne e coentro.


A identificação com Minas fez com que o fruto do quiabeiro ganhasse fama como um dos dos representantes da culinária caipira. Mas até mesmo na alta gastronomia o quiabo vem ganhando destaque.

Chefs renomados como Alex Atala e Roberta Sudbrack, por exemplo, já se renderam à peculiaridade e sabor do alimento e criaram pratos garantem destaque para o quiabo. Roberta transformou as sementes em um “Caviar Vegetal”, já Atala apresenta uma combinação de preparos em “Quiabo, Quiabo, Quiabo”.

Mas e a baba?

A baba do quiabo é um assunto polêmico. Existem os que amam e aqueles que torcem o nariz para o vegetal em razão de sua existência. Nos Estados Unidos, por exemplo, o tipo mais apreciado de quiabo é aquele farto nessa substância.

Já no Brasil, é difícil encontrar quem goste. Basta procurar na internet para encontrar diversas receitas de como eliminar a baba por completo. Entretanto, a falsa impressão de que quiabo se resume à baba precisa ser vencida.

O quiabo é um alimento que conta um perfil nutricional bem interessante. Seus nutrientes permitem que possamos listar três benefícios incríveis que não devem ser ignorados.

 

Perfil nutricional do quiabo

Para traçar um perfil nutricional de um alimento e selecionar os benefícios do alimento é preciso avaliar a composição de nutrientes em 100 gramas.

De acordo com a Tebela Americana National Nutrient Database, essa quantidade do vegetal cozido e sem sal contém 27 calorias, 4,51 g de carboidratos (sendo 2,50 g de fibras), 1,87 g de proteína e 0,21 g de gorduras.

No que diz respeito às vitaminas se destacam:

  • vitamina K,
  • vitamina C,
  • vitamina E,
  • vitamina A,
  • equivalente de folato.

Em relação aos minerais, encontra-se:

  • manganês,
  • magnésio,
  • cobre,
  • ferro,
  • fósforo,
  • cálcio,
  • zinco,
  • selênio.

Com base nessas informações, é possível apontar 3 principais benefícios do alimento.

 

3 benefícios do quiabo

É uma boa fonte de vitamina K

O quiabo é considerado uma boa fonte de vitamina K, um nutriente importantíssimo para a coagulação sanguínea.  A Ingestão Adequada (AI) do nutriente é de 90 microgramas para mulheres e 120 microgramas para homens. Nesse contexto, o quiabo se destaca, pois apresenta 20 microgramas por porção (2 colheres de sopa ou 50 gramas)


  • Ingestão Adequada é o valor utilizado quando o conjunto de informações científicas não são suficientes para o cálculo das Recomendações Nutricionais (RDA)
  • Já as Recomendações Nutricionais (RDA) são os valores recomendados de ingestão que devem atender as necessidades de um nutriente entre 97 a 98% dos indivíduos saudáveis.

É fonte de cálcio

A quantidade de cálcio presente no quiabo (33,5 miligramas por porção) é um grande destaque em relação a outras fontes vegetais. Essa quantidade representa 3% da recomendação de ingestão diária (RDA) do nutriente que é 1200 miligramas para um homem adulto.

O destaque se dá pelo fato do aporte desse mineral em vegetais ser baixíssimo. Para conseguir uma porcentagem maior em um único alimento é necessário o consumo de produtos de origem animal. Dessa forma, o quiabo é uma excelente escolha para vegetarianos e veganos.

É fonte fibra

Cada porção de quiabo possui 1,25 gramas de fibra alimentar. As fibras são elementos que fazem parte dos vegetais. Elas passam intactas pelo sistema digestivo, já que não são nem digeridas, nem absorvidas para o organismo.

A importância delas está no fato de serem importantes para facilitar os movimentos feitos pelo intestino, além de serem nutrientes para os microrganismos que formam a microbiota intestinal do organismo.

Vale destacar que a RDA de fibra é de 25 gramas.


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Comer quiabo é bom para diabetes? 

É comum encontrar artigos que relacionam o uso do quiabo com o combate à diabetes. Apesar de o quiabo ser um alimento com diversos benefícios e uma composição nutricional muito interessante, isso não pode ser confirmado.


Atenção: não existe nenhuma evidências científicas que sustentem essa informação.


De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) é de extrema importância que os portadores de doença continuem utilizando seus medicamentos e seguindo as orientações médicas.

Em um comunicado oficial, a SBD alertou ainda que o combate à diabetes não pode se restringir à glicemia, “mas tratar também o Colesterol, a Pressão Arterial, a Obesidade, o hábito de fumar, todos os fatores de risco para a doença vascular, principal causa de morte na atualidade”.

Clique aqui e veja o posicionamento da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre o tema.

 

Fonte: Hortifruti, 31 de maio de 2019

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