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Segurança Alimentar: garantia de acesso a alimentos seguros e saudáveis

18/07/2019

Segurança alimentar

O termo segurança alimentar é muito utilizado em matérias de jornais e em estudos relacionadas à fome mundial. Mas você sabe exatamente o que ele significa?

Cientistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) consideram que segurança alimentar não é apenas obter calorias suficientes, mas também ter acesso frequente a alimentos seguros que satisfaçam as necessidades nutricionais.

O tema envolve agricultura sustentável e melhoria da nutrição. É um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), que tem como meta acabar com a fome no mundo até 2030.

 

O que é segurança alimentar?

O que é segurança alimentar?Segurança alimentar consiste em garantir o acesso sustentável a alimentos seguros que satisfaçam as necessidades nutricionais da população. Isso significa poder acessar fisicamente a comida e ter recursos suficientes para comprá-la. Significa também ter consciência de que esses alimentos nutritivos e acessíveis estarão disponíveis no futuro.

Segundo Yibo Luan, ex-pesquisador do Programa de Água do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA), segurança alimentar é um tópico muito abrangente. “Não é apenas o equilíbrio entre o consumo e o suprimento de alimentos. É todo um campo de pesquisa interdisciplinar que inclui serviços ambientais e ecossistêmicos, mudanças climáticas, nutrição, população e muito mais”, explica o pesquisador para o site do IIASA.

 

Produção de alimentos e segurança alimentar

A produção de alimentos está diretamente ligada à agricultura. Isso nos leva a concluir que uma agricultura sustentável é primordial para a segurança alimentar.

Segundo o Comitê Mundial de Segurança Alimentar (CFS), um investimento responsável na agricultura e nos sistemas alimentares é essencial para melhorar a segurança alimentar e nutricional e apoiar a realização progressiva do direito à alimentação adequada.  

Dentre os aspectos que levam à sustentabilidade na produção de alimentos, podemos considerar:

Aumento da produtividade das culturas

Com isso, reduz-se a necessidade de expansão de novas áreas agrícolas.

Uso de tecnologias como as da agricultura digital

Permite otimizar processos e recursos utilizados na produção de alimentos.

Melhoramento genético de plantas e animais

Tanto o melhoramento genético convencional como a biotecnologia contribuem para melhoria da produção agrícola.

Práticas de manejo que melhoram a qualidade do solo

O plantio direto é, por exemplo, uma forma de manejo do solo que envolve técnicas recomendadas para aumentar a produtividade, conservando ou melhorando continuamente o ambiente de cultivo.

Políticas e ações também fortalecem a sustentabilidade do meio rural

O Brasil tem investido em processos de intensificação sustentável, com destaque para a produção de duas safras por ano em mesma área e rastreabilidade de alimentos.

 

O Brasil é protagonista em produzir alimentos com sustentabilidade

Segundo Celso Luiz Moretti, pesquisador e diretor de pesquisa e desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 66,3% do território brasileiro está preservado na forma de floresta ou matas nativas. “O Brasil utiliza 7,8% do território para produzir uma quantidade significativa de grãos. Só na safra de 16/17 poderia alimentar um bilhão de pessoas em todo o mundo”, conta o pesquisador em uma entrevista durante o Congresso Mundial de Ciência do Solo em 2018.  

Além disso, de acordo com o livro Visão 2030: o Futuro da Agricultura Brasileira, o Brasil certamente tem potencial de produzir alimentos únicos, mais nutritivos e alinhados com as demandas dos mercados nacional e internacional.


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Embora a sustentabilidade na produção agrícola seja um aspecto de extrema importância no que diz respeito à segurança alimentar, há uma outra preocupação por parte do consumidor: a origem e a presença de resíduos de agrotóxicos nos alimentos.

Essa preocupação levou à aprovação da Instrução Normativa Conjunta nº 2, uma normativa aprovada em fevereiro de 2018 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que entrará em vigor gradualmente ao longo dos anos, até 2021.

Com essa legislação, foi instituída a rastreabilidade de alimentos. A rastreabilidade envolve um conjunto de procedimentos que permitem detectar a origem e acompanhar a movimentação de um produto ao longo da cadeia produtiva, mediante elementos informativos e documentais registrados.

Ou seja: o consumidor pode recuperar a história de um produto, desde sua produção até a comercialização.

 

Qual a relação entre segurança alimentar e o consumo de frutas e hortaliças?

segurança alimentar e consumoPara garantir a segurança alimentar e nutricional, as pessoas precisam consumir os nutrientes essenciais para a sua saúde. É por essa razão que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de, no mínimo, 400 g frutas e hortaliças por dia, em cinco ou mais dias na semana.

Boa saúde e longevidade também requerem uma boa dose de vitaminas e minerais. Isso é o que encontramos quando enriquecemos nossos pratos frutas e hortaliças.

Esses alimentos reúnem todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento do corpo humano, com exceção da vitamina B12 (mais comum em carnes e ovos). Quando consumidas dentro de um padrão alimentar saudável, elas contribuem para o fornecimento de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos, que são essenciais para o nosso organismo.


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Segurança Alimentar e agrotóxicos nos alimentos

Quando pensamos em segurança alimentar, também levamos em consideração o aspecto de segurança dos alimentos, ou seja, se o alimento está “seguro” (livre de contaminantes) para ser consumido.

Nesse sentido, há preocupação com relação à presença de alguns contaminantes como: microrganismos causadores de doenças, resíduos de agrotóxicos, toxinas produzidas por fungos (micotoxinas) etc.

Para evitar a ingestão de alguns desses contaminantes, a higienização de hortifruti é um passo fundamental. No caso dos agrotóxicos, para garantir a proteção dos consumidores de alimentos dos possíveis riscos toxicológicos, foram estabelecidos alguns índices pelos órgãos governamentais e de pesquisa: 

Dose letal 50 (DL50)

A DL50 representa a dose de uma substância química que levou a óbito 50% dos animais em testes de laboratório. Essa dose é determinada em miligrama da substância por quilograma de massa corporal de indivíduos testados (mg/kg).

Por exemplo, quando uma substância possui DL50 de 130 mg/kg significa que 130 mg dela foi capaz de causar a morte de 50% da população de animais em laboratório. Sendo assim, quanto maior a dose letal, menos tóxica é a substância.

Índice de Ingestão Diária Aceitável (IDA)

IDA é a quantidade de uma substância química que pode ser ingerida diariamente por um indivíduo, durante toda a sua vida, sem risco à sua saúde. Isso indica que a ingestão de alimentos contendo tais substâncias, dentro desse índice, não produzirá efeitos adversos mesmo após uma ingestão continuada, ainda que isso ocorra durante toda a vida da pessoa. O IDA também é medido em mg/kg.

Limite Máximo de Resíduos (LMR)

Corresponde ao valor máximo de resíduo de agrotóxico permitido, em termos legais, em um alimento em sua fase de consumo, considerando-se estudos prévios, baseados na DL50 e no IDA. Dentro desse limite, não há riscos de ingestão do resíduo no alimento. O LMR é expresso em miligramas do agrotóxico por quilo do alimento (mg/Kg).


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Mesmo que todos esses índices tenham sido propostos para garantir segurança alimentar, ainda há a preocupação, por parte dos consumidores, de que os alimentos estejam dentro desses limites na prática.

Para isso, foi criado em 2001 um Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Esse programa teve como objetivo avaliar os níveis de agrotóxicos nos alimentos que chegam à mesa do consumidor. O PARA é coordenado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em conjunto com outros órgãos estaduais e municipais de saúde pública.

Um relatório realizado pelo PARA de 2013 a 2015 mostrou que a grande maioria dos alimentos monitorados era segura para consumo humano. Dessa maneira, podemos concluir que as medidas de controle e fiscalização propostas para preservar a saúde da população, mesmo com o uso agrotóxicos para proteger as culturas agrícolas das pragas, garantem a segurança no consumo.

 

O que afeta a segurança alimentar?

Embora a produção de alimentos precise aumentar para atender às necessidades nutricionais, a agricultura também está enfrentando os desafios trazidos pelas mudanças climáticas. A FAO apontou as mudanças climáticas como uma das principais causas dos problemas relacionados à produção agrícola.

Somente adotando uma visão sistêmica os formuladores de políticas e o público podem fazer mudanças informadas que levem a um futuro sustentável. A iniciativa da FAO para a implementação dos ODS reúne instituições acadêmicas e de pesquisa, públicas e privadas, que estão contribuindo para  atingir múltiplos desses objetivos.

Nesse contexto, cientistas e especialistas no mundo todo estão envolvidos na geração  de conhecimento e no desenvolvimento de soluções que ajudarão a enfrentar esse grande desafio do planeta.

 

Fonte: IIASA, USAID, FAO, EMBRAPA.

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