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Segurança Alimentar: garantia de acesso a alimentos seguros e saudáveis

18/06/2020

Segurança alimentar

O termo segurança alimentar é muito utilizado em matérias de jornais e em estudos relacionadas à fome mundial. Mas você sabe exatamente o que ele significa?

Cientistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) consideram que segurança alimentar não é apenas obter calorias suficientes, mas também ter acesso frequente a alimentos seguros que satisfaçam as necessidades nutricionais.

O tema envolve agricultura sustentável e melhoria da nutrição. É um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), que tem como meta acabar com a fome no mundo até 2030.

Qual a diferença entre segurança alimentar e segurança dos alimentos?

O que é segurança alimentar?

Muita gente confunde, mas segurança alimentar e segurança dos alimentos não possuem o mesmo significado.

Segurança alimentar: diz respeito ao direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. Isso significa poder acessar fisicamente a comida e ter recursos suficientes para comprá-la. Significa também ter consciência de que esses alimentos nutritivos e acessíveis estarão disponíveis no futuro.

Segurança dos alimentos: É o termo usado para se referir às medidas que permitam o controle da introdução no alimento de qualquer agente que promova risco à saúde.

Produção de alimentos e segurança alimentar

Segundo o Comitê Mundial de Segurança Alimentar (CFS), um investimento responsável na agricultura e nos sistemas alimentares é essencial para melhorar a segurança alimentar e nutricional e apoiar a realização progressiva do direito à alimentação adequada. 

Dentre os aspectos que levam à sustentabilidade na produção de alimentos, podemos considerar:

Aumento da produtividade das culturas

Com isso, reduz-se a necessidade de expansão de novas áreas agrícolas.

Uso de tecnologias como as da agricultura digital

Permite otimizar processos e recursos utilizados na produção de alimentos.

Melhoramento genético de plantas e animais

Tanto o melhoramento genético convencional como a biotecnologia contribuem para melhoria da produção agrícola.

Práticas de manejo que melhoram a qualidade do solo

O plantio direto é, por exemplo, uma forma de manejo do solo que envolve técnicas recomendadas para aumentar a produtividade, conservando ou melhorando continuamente o ambiente de cultivo.

Políticas e ações também fortalecem a sustentabilidade do meio rural

O Brasil tem investido em processos de intensificação sustentável, com destaque para a produção de duas safras por ano em mesma área e rastreabilidade de alimentos.

O Brasil é protagonista em produzir alimentos com sustentabilidade

Segundo Celso Luiz Moretti, Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), 66,3% do território brasileiro está preservado na forma de floresta ou matas nativas. “O Brasil utiliza 7,8% do território para produzir uma quantidade significativa de grãos. Só a safra de 16/17 poderia alimentar um bilhão de pessoas em todo o mundo”, conta o pesquisador.

Além disso, de acordo com o livro Visão 2030: o Futuro da Agricultura Brasileira, o Brasil tem potencial de produzir alimentos únicos, mais nutritivos e alinhados com as demandas dos mercados.

Embora a sustentabilidade na produção agrícola seja um aspecto de extrema importância no que diz respeito à segurança alimentar, há uma outra preocupação por parte do consumidor: a origem e a presença de resíduos de agrotóxicos nos alimentos.

Essa preocupação contribuiu para a aprovação da Instrução Normativa Conjunta nº 2, em fevereiro de 2018 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que entrará em vigor gradualmente ao longo dos anos, até 2021.

Com essa legislação, foi instituída a rastreabilidade de alimentos. A rastreabilidade envolve um conjunto de procedimentos que permitem detectar a origem e acompanhar a movimentação de um produto ao longo da cadeia produtiva, mediante elementos informativos e documentais registrados.

Ou seja: o consumidor pode recuperar a história de um produto, desde sua produção até a comercialização.

O que afeta a segurança alimentar?

segurança alimentar e consumo

Embora a produção de alimentos precise aumentar para atender às necessidades nutricionais, a agricultura também está enfrentando os desafios trazidos pelas mudanças climáticas. A FAO apontou as mudanças climáticas como uma das principais causas dos problemas relacionados à produção agrícola.

Somente adotando uma visão sistêmica os formuladores de políticas e o público podem fazer mudanças informadas que levem a um futuro sustentável. A iniciativa da FAO para a implementação dos ODS reúne instituições acadêmicas e de pesquisa, públicas e privadas, que estão contribuindo para atingir múltiplos desses objetivos.

Nesse contexto, cientistas e especialistas no mundo todo estão envolvidos na geração de conhecimento e no desenvolvimento de soluções que ajudarão a enfrentar esse grande desafio do planeta.


SAIBA MAIS:

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Alimentos seguros são a base da segurança alimentar

Quando pensamos em segurança alimentar, também levamos em consideração o aspecto de segurança dos alimentos, ou seja, se o alimento está “seguro” (livre de contaminantes) para ser consumido.

Nesse sentido, há preocupação com relação à presença de contaminantes como: microrganismos causadores de doenças, resíduos de agrotóxicos, toxinas produzidas por fungos (micotoxinas) etc.

No caso dos agrotóxicos, para garantir a proteção dos consumidores à exposição a riscos toxicológicos, foram estabelecidos alguns índices pelos órgãos governamentais e de pesquisa:

Dose letal 50 (DL50)

A DL50 representa a dose de uma substância química que levou a óbito 50% dos animais em testes de laboratório. Essa dose é determinada em miligrama da substância por quilograma de massa corporal de indivíduos testados (mg/kg).

Por exemplo, quando uma substância possui DL50 de 130 mg/kg significa que 130 mg dela foi capaz de causar a morte de 50% da população de animais em laboratório. Sendo assim, quanto maior a dose letal, menos tóxica é a substância.

Índice de Ingestão Diária Aceitável (IDA)

IDA é a quantidade de uma substância química que pode ser ingerida diariamente por um indivíduo, durante toda a sua vida, sem risco à sua saúde. Isso indica que a ingestão de alimentos contendo tais substâncias, dentro desse índice, não produzirá efeitos adversos mesmo após uma ingestão continuada, ainda que isso ocorra durante toda a vida da pessoa. O IDA também é medido em mg/kg.

Limite Máximo de Resíduos (LMR)

Corresponde ao valor máximo de resíduo de agrotóxico permitido, em termos legais, em um alimento em sua fase de consumo, considerando-se estudos prévios, baseados na DL50 e no IDA. Dentro desse limite, não há riscos de ingestão do resíduo no alimento. O LMR é expresso em miligramas do agrotóxico por quilo do alimento (mg/Kg).

Mesmo que todos esses índices tenham sido propostos para garantir segurança alimentar, ainda há a preocupação, por parte dos consumidores, de que os alimentos estejam dentro desses limites na prática.

Além disso, embora, os produtores de alimentos sejam os primeiros responsáveis pela segurança dos alimentos que compramos, ainda assim é possível nos proteger de possíveis contaminações, seguindo alguns passos:

  • higienizar bem as mãos antes de manipular e consumir os alimentos;
  • não misturar alimentos crus de origem animal com os demais alimentos para evitar contaminação cruzada;
  • manter os alimentos a temperaturas seguras (quente ou fria) para prevenir o crescimento de microrganismos;
  • usar água limpa para higienização.


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O que consumimos oferece riscos à saúde?

Consumo de frutas e hortaliças é recomendado pela OMSConsumir frutas, verduras e hortaliças não representa risco para a saúde, muito pelo contrário. Esses alimentos são ricos em nutrientes e auxiliam o bom funcionamento do organismo.

É por essa razão que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de, no mínimo, 400 g de frutas e hortaliças por dia, em cinco ou mais dias na semana. Boa saúde e longevidade também requerem uma boa dose de vitaminas, fibras, minerais e compostos bioativos. Isso é o que encontramos quando enriquecemos nossos pratos com frutas e hortaliças.

E para quem suspeita da segurança desses alimentos, o mais recente relatório do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). revelou que 99% das frutas e hortaliças consumidas pelos brasileiros são seguras.

O relatório disponibilizado em dezembro de 2019, mostrou que, de agosto/2017 a junho/2018, 99,1% dos alimentos monitorados eram seguros para consumo humano. Nesse período foram analisados 14 produtos de origem vegetal que juntos representam 30,86% da aquisição per capita diária, conforme dados do IBGE.

Ao final de 2020, 36 alimentos terão sido avaliados, representando 80% dos produtos de origem vegetal mais consumidos pelos brasileiros.

Com base nos dados adquiridos desde 2001, a ANVISA garante que os alimentos consumidos no Brasil não possuem riscos de levar o consumidor a algum tipo de intoxicação por agrotóxicos.

Entre os anos de 2013 e 2015, mais de 12 mil amostras de alimentos foram avaliadas. Fizeram parte da análise, cereais, leguminosas, frutas, hortaliças e raízes dos 27 estados do Brasil e do Distrito Federal. Praticamente todas as amostras estavam livres de resíduos de agrotóxicos que representassem algum risco agudo à saúde.

“O alimento brasileiro in natura é seguro para consumo e temos de lembrar que frutas e hortaliças são essenciais para a dieta da população”, disse Jarbas Barbosa, ex-diretor-presidente da Anvisa.

Essa pesquisa sobre segurança dos alimentos brasileiros desenvolvida pela ANVISA é extremamente importante. De acordo com o Codex Alimentarius, para ser considerado seguro, um alimento precisa proporcionar segurança no consumo. Ou seja, não deve causar dano ao consumidor.

Principais fontes:

EMBRAPA. Visão 2030 o futuro da agricultura brasileira. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/visao/o-futuro-da-agricultura-brasileira. Acesso em: 06/07/2020.

FAO. Food and agriculture Driving action across the 2030 Agenda for Sustainable Development. Disponível em: http://www.fao.org/3/a-i7454e.pdf. Acesso em: 06/07/2020.

IIASA. A systems look at hunger. Disponível em: https://iiasa.ac.at/web/home/resources/publications/options/s19-systems-hunger.html. Acesso em: 06/07/2020.

USAID. Agriculture and food security. Disponível em: https://www.usaid.gov/what-we-do/agriculture-and-food-security. Acesso em: 06/07/2020.

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