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Afinal, o tomate é fruta? Conheça esse e outros segredos do alimento

tomate

O tomate é, com certeza, uma das hortaliças mais consumidas no mundo! Sim, pela definição adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o tomate é uma hortaliça. Ou seja, uma planta herbácea da qual se utiliza uma ou mais partes como alimento na sua forma natural.

Porém, popularmente existe uma confusão sobre a nomenclatura desse vegetal – e vamos esclarecer agora! Mas, primeiro, precisamos entender as definições de fruto e fruta.

  •       Fruto: é uma nomenclatura botânica (a ciência que estuda e classifica os vegetais) para estruturas que são desenvolvidas a partir do ovário das plantas. Ou seja, o ovário desenvolvido é um fruto.
  •       Fruta: não se utiliza essa nomenclatura na botânica. O termo “fruta” tem uso popular e faz referência aos frutos doces e comestíveis.

Sendo assim, o tomate é um fruto, porque ele vem do desenvolvimento do ovário da flor do tomateiro. Mas ele não é comumente chamado de fruta, porque ele não é doce. Por isso, o tomate ficou conhecido como legume, o que também não está errado.

Para resumir, o tomate é cientificamente um fruto e popularmente pode ser uma hortaliça ou um legume.

Quer saber mais sobre as diferenças entre frutas, legumes e verduras? Acesse aqui! E para aprender a preparar  um refrescante e saboroso gaspacho de tomate com a Top Chef Luciana Berry, assista o vídeo:

Tomate e agrotóxicos

A segunda polêmica que paira sobre os tomates é que eles estão cheios de agrotóxicos e podem fazer mal à saúde. O que não é verdade, uma vez que a própria Anvisa afirma que esses alimentos são seguros.

Nesse sentido, é bem provável que esse mito em torno do tomate seja derivado do reconhecimento de que o tomate é uma das hortaliças mais difíceis de se produzir. Os tomateiros sofrem ataques de várias pragas e doenças, além de serem bastante sensíveis a variações no clima e na oferta de nutrientes.

Alef John "Além disso, culturas de ciclos curtos geralmente são atacadas por um maior número de pragas. O tomateiro é atacado por diversas espécies de pragas desde a semeadura, no transplante para o campo até a colheita."
Alef John - Engenheiro Agrônomo

Dessa forma, os produtores precisam usar não só defensivos químicos, mas também dos defensivos biológicos, fertilizantes, uma boa irrigação e manejo adequado.

Francisco Henrique "O que poucos sabem é que agrotóxicos são todos os produtos utilizados para controlar pragas e doenças nas plantas. Neles estão incluídos produtos químicos e biológicos."
Francisco Henrique - Doutor em agricultura tropical e Produtor de conteúdo do HF

No entanto, essas questões devem ser uma preocupação dos agricultores, que acabam tendo um enorme gasto com a compra e mão de obra para manuseio de equipamentos e produtos. Tudo isso para entregar um alimento de boa qualidade para nós, consumidores.

Alef John "O ataque de pragas e doenças aos tomateiros é certo e para evitar um alto custo de produção e elevado preço no mercado, os produtores realizam o monitoramento das principais ameaças e utilizam defensivos apenas quando necessário."
Alef John - Engenheiro Agrônomo

Além disso a Anvisa, pelo seu Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), garante que os alimentos consumidos no Brasil não possuem riscos de levar o consumidor a algum tipo de intoxicação por agrotóxicos.

tomate e agrotóxicos

Saiba mais sobre essa pesquisa com o nosso texto: Agrotóxicos nos alimentos: devo me preocupar?


Curiosidade

Talvez você não saiba mas os alimentos (produtos agrícolas) só podem ter colheita após um período de carência de aplicação de agrotóxicos. Esse período, portanto, é o intervalo de segurança e corresponde ao tempo entre última aplicação de um defensivo químico e a colheita. Esse intervalo é importante para que os resíduos químicos sofram degradação antes do alimento chegar na sua casa.


Por último, lembre-se: todos os alimentos devem ser higienizados, independentemente de sua origem. A limpeza desses produtos reduz a chance de haver contaminação por microrganismos causadores de doenças.

A origem dos tomates

O tomate (Solanum lycopersicum) é originário da América do Sul, mais especificamente das Cordilheiras dos Andes.

No entanto, a variedade que conhecemos hoje é resultado de um processo de domesticação que envolveu outras duas espécies: Solanum pimpinellifolium L. e Solanum lycopersicum L. var. cerasiformese e teve início há 7 milhões de anos.

Naquela época, os frutos do tomateiro eram menores que um mirtilo, mas com o tempo de cultivo alguns tomates começaram a atingir o tamanho de uma cereja e assim permaneceram por muitos anos. Assim, foram os povos Maias que realmente adotaram os tomates como parte da sua dieta e conseguiram desenvolver frutos cada vez maiores.

Por sua vez, esses frutos domesticados chamaram a atenção dos espanhóis, que os levaram para Europa e difundiram pelo mundo.

Quer saber mais sobre o tomate? Assista o episódio sobre esse fruto no Além do Alimento e descubra além de curiosidades sobre esse produto, a forma do cultivo dessa planta nos dias de hoje:

O tomate e seus benefícios

informações nutricionais do tomate

O tomate é um alimento de excelente qualidade nutricional. Seu baixo valor calórico atrelado ao perfil de vitaminas, sais minerais e compostos bioativos (licopeno e flavonoides) o tornam um alimento aliado à saúde.

Difícil é estabelecer qual substância presente no fruto é a mais importante. A explicação mais aceita é que a associação de todas potencializa o efeito protetor do alimento.

Entre os nutrientes presentes no tomate merecem destaque:

  •       Fonte de fibra alimentar
  •       Fonte de vitamina A
  •       Excelente fonte de vitamina C.

Além disso, o tomate vermelho maduro e seus derivados são excelentes fontes de licopeno.

O tomate é rico em licopeno

O licopeno é um dos 600 pigmentos carotenoides encontrados na natureza, sendo responsável pela coloração vermelho alaranjada de frutas e vegetais nas quais está presente. No entanto, o licopeno não apresenta atividade de provitamina A.

O licopeno é famoso por ter um efeito protetor direto contra radicais livres, sendo considerado um potente antioxidante.

Nesse sentido, vários estudos vêm demonstrando uma possível relação inversa entre o consumo de alimentos fontes de licopeno e risco de câncer, doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas. Dessa forma, em um padrão alimentar saudável, as propriedades biológicas dos carotenoides ajudam na manutenção da saúde.

A quantidade de licopeno no tomate varia de acordo com a variedade do fruto e grau de maturação. Fatores climáticos (precipitação, luminosidade e temperatura), geográficos (características do solo de cultivo), manejo pós-colheita e armazenamento também interferem no conteúdo deste composto bioativo.

Pergunte ao Google, nós respondemos!

O tomate cozido é mais nutritivo do que cru?

Com relação ao licopeno, sim. O processamento térmico do tomate e seus produtos (extrato, polpa, massa, molho, seco) aumenta a biodisponibilidade do licopeno. Ou seja, permite a liberação mais rápida do composto presente no alimento, com mais absorção no intestino.

No entanto, o tomate também contém em sua composição flavonoides, que estão presentes em maior quantidade no alimento in natura. Os flavonoides apresentam propriedades antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana, bem como possíveis efeitos cardioprotetores e anticarcinogênicos.

Qual os benefícios do tomate?

O tomate é um alimento com propriedades nutricionais que contribuem com a saúde e prevenção de doenças. Seu baixo valor calórico o torna um aliado em programas alimentares com restrição de energia. Em função da presença de compostos bioativos – licopeno e flavonóides – o consumo do tomate quando associado a um hábito alimentar saudável pode auxiliar na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão e doenças do coração.

É bom comer tomate todo dia?

O consumo diário do tomate quando associado a um hábito alimentar saudável contribui com a oferta de vitaminas, minerais e compostos bioativos benéficos para a manutenção da saúde e prevenção de doenças.

Quais são as vitaminas do tomate?

O tomate apresenta em sua composição vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina C, vitamina E. O destaque, em função da quantidade presente em 100g do alimento fica para a vitamina A (50,6 mcg RAE/100g – classificação: fonte do nutriente) e vitamina C (15,5 mg/100g – classificação: excelente fonte)

O que o tomate pode causar?

Não há malefícios atribuídos ao consumo de tomate. A restrição acontece em casos específicos de intolerância aos componentes do alimento ou presença de doenças com restrição ao consumo de nutrientes presentes no alimento.

Tomate com sal faz mal?

Ao analisarmos a composição nutricional dos dois alimentos em questão – tomate e sal – teremos como nutriente de controle o sódio.

O tomate cru é um alimento com 3,13 de sódio/100 g

O sal é um alimento que apresenta 400 mg de sódio/ 1g (uma colher de café rasa ou 01 sache).

Ou seja, ao adicionar sal ao tomate o teor de sódio do alimento é elevado de forma expressiva. O consumo de quantidades elevadas de sódio é um dos fatores de risco para hipertensão arterial e doenças do coração.

Sueli Longo "temperar o tomate com azeite de oliva extra virgem, ervas aromáticas e especiarias favorece a absorção dos nutrientes presente no tomate, agrega sabor e aroma ao alimento, além de contribuir com a saúde e prevenção de doenças"
Sueli Longo - Nutricionista, especialista em nutrição e esporte e mestre em comunicação social.

Faz mal comer tomate cru?

Não. O consumo do tomate in natura, em saladas e pratos frios favorece o aproveitamento da fibra alimentar, vitamina C e flavonoides. A restrição ao consumo do tomate cru ocorre em portadores de doenças específicas onde há controle de nutrientes como por exemplo potássio.


Dicas para aproveitar o que o tomate tem de melhor

Quer usufruir das fibras, vitamina C e flavonoides? Consuma o tomate in natura, em saladas ou em pratos frios.  Agora, se você quer aproveitar as propriedades do licopeno, prepare extrato de polpa, molhos, purê e até mesmo um “tomate seco”. Para potencializar a absorção de carotenóides, tempere o tomate com óleos ou azeites.


Produção de tomates Brasil e no mundo

Atualmente o tomate é uma das hortaliças mais cultivadas no mundo e a que apresenta maior valor comercial. No ano de 2019 produziu-se 180,7 milhões de toneladas do fruto. No entanto, a China é responsável por cerca de 34% da produção mundial de tomates.

O Brasil, com cerca de 4 milhões de toneladas de tomate produzidos anualmente, garante sua autossuficiência e ocupa a décima posição entre os produtores desse alimento.

Existem dois segmentos bem definidos e que utilizam diferentes variedades da planta.

Os grandes produtores utilizam as cultivares rasteiras e de crescimento limitado, que exigem elevada tecnificação e mecanização. Esse tipo de fruto vai para o processamento industrial e corresponde a 30% dos tomates com venda no Brasil.

Por sua vez, as cultivares do consumo in natura, presentes no nosso dia-a-dia, são de crescimento menos controlado e exigem operações manuais na condução da lavoura e colheita. Essa produção ocorre principalmente por pequenos produtores.

Essas variedades, apesar de produzidas o ano inteiro, são mais sensíveis e sofrem danos com o calor e umidade, característicos do verão. Por isso, é comum que os preços dessa fruta estejam mais altos em estações quentes e mais baixo nas estações frias e secas.

Variação essa que é possível observar no gráfico referente ao preço médio do quilo de tomate com venda nas CEASAs do país.

preço médio do tomate

O estado do Goiás é de longe o maior produtor de tomate no Brasil. Dessa forma, a colheita chegou a 1,2 milhões de toneladas no ano de 2019, com a indústria como destino. Já os frutos dos estados de São Paulo e Minas Gerais, segundo e terceiro maiores produtores, destinam-se ao mercado de mesa.

Conheça algumas das principais cidades produtoras de tomate do país:

produção de tomate no Brasil

Tomate para todos os gostos

Produzir tomate não é uma tarefa fácil. Nesse sentido, várias pragas, doenças e fatores externos, como variações no clima e na oferta de nutrientes, são ameaças reais às lavouras. Além disso, é importante agradar aos diferentes paladares dos consumidores.

Por isso, não é à toa que os pesquisadores não deixam de realizar melhoramento genético do tomate, uma estratégia essencial para aprimorar as variedades do fruto ao campo e aos consumidores. Dessa maneira, o desenvolvimento do fruto leva entre 95 e 125 dias e existem tomates de variadas formas, tamanhos, cores e sabores.

Tipos de tomates  

Tem tomate para tudo que é gosto! Portanto, saiba mais sobre cada um deles na sequência.

tomate italiano
Tomate italiano

Tomate Italiano: É o tomate ideal para fazer molhos. São frutos compridos, firmes e saborosos, com polpa espessa e coloração intensa, apresentam menos água e sementes.

 Tomate Débora ou Santa Cruz: Os tomates deste grupo são os mais conhecidos no mercado e apresentam preço mais baixo. Por isso este tipo de tomate acaba se tornando um “coringa” já que fica entre os tomates mais aguados e os mais firmes, com sabor ligeiramente ácido.

Tomate Carmem ou Salada: O fruto dessa variedade pode chegar a pesar 500g e por isso recebeu o nome popular “tomatão”. Ele tem bastante consumo no Brasil e a vantagem de durar bastante tempo, o que lhe deu outro apelido “longa vida”.

tomate cereja
Tomate cereja

Tomate Cereja: São variedades de frutos pequenos, que possuem pencas de 12 a 18 cachos. Recebe esse nome pela semelhança em tamanho com a cereja. Sendo assim, é um fruto adocicado e bastante aguado, o que pode dar uma sensação de frescor. Além disso, utiliza-se na ornamentação de pratos e couvert.

Tomate Holandês: Este tomate é bem peculiar, já que possui venda em ramos, os quais devem estar bem verdes, para melhor consumo. Seu sabor é mais doce e menos ácido.

Tomate: como armazenar?

A conservação fora da geladeira favorece o amadurecimento do alimento. Sendo assim os frutos maduros devem ser conservados sob refrigeração, na parte inferior da geladeira – dessa forma você vai aumentar o seu tempo de vida.

Agora, não se esqueça: na hora da compra, cor, firmeza e integridade do fruto são aspectos importantes a se observar.

Além disso, a higienização do tomate é outro aspecto importante e visa eliminar microrganismos que possam estar no fruto, mas deve acontecer apenas antes do consumo. Recomenda-se lavagem em água corrente com posterior molho em sanitizante ou vinagre, em diluição semelhante a que se faz com as hortaliças. Em seguida, enxague os frutos com água filtrada.


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Que tal preparar o famoso tomate seco?

Em pizzas ou na salada, o tomate seco é uma ótima forma de incrementar a sua refeição e é bem fácil de preparar. Por isso, confira o passo a passo da receita abaixo!

Ingredientes

1 kg de tomates frescos;

Sal e ervas a gosto.

Modo de preparo

Preparo

Pré-aqueça o forno a 95º C. Depois, lave os tomates e corte-os ao meio, no sentido do comprimento. Retire as sementes das metades de tomate e coloque-os em uma forma, forrada com papel manteiga, com a face cortada virada para cima.

Por fim, tempere com ervas e sal a gosto. leve ao forno durante cerca de 6 a 7 horas, até que o tomate fique com a característica de tomate seco, mas sem queimar.

Normalmente, tomates maiores precisarão de mais tempo para ficarem prontos. Uma boa dica para poupar energia e tempo, é utilizar tomates de tamanhos semelhantes.


A preservação da água é uma prática comum de que produz hortifrutis, como o tomate.

Por isso, clique aqui para saber mais sobre o assunto!


 

 

Conteúdo atualizado em 10/08/2021

 

 

Principais fontes:

Companhia Nacional de abastecimento (CONAB)

Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO)

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Razifard, H., et al., Genomic Evidence for Complex Domestication History of the Cultivated Tomato in Latin America. Molecular Biology Evolution, 2020.

Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA). Universidade de São Paulo (USP). Food Research Center (FoRC). Versão 7.1. São Paulo, 2020. [Acesso em: 22/07/2021]. Disponível em: http://www.fcf.usp.br/tbca.

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